Versículos de Lucas 23 da Bíblia. Almeida Antiga (1848)
1E LEVANTANDO-se toda a multidão delles, levárão-o a Pilatos.
2E começarão a accusá-lo, dizendo: a este havemos achado, que perverte a nação, e prohibe dar tributo a Cesar, dizendo: que elle mesmo he Christo o Rei.
3E Pilatos lhe perguntou, dizendo: es tu o Rei dos Judeos? E respondendo-lhe elle, disse: Tu o dizes.
4E disse Pilatos aos Principes dos Sacerdotes, e á multidão: culpa nenhuma acho neste homem.
5Mas elles tanto mais insistião, dizendo: alvoroça ao povo, ensinando por toda Judea, começando desde Galilea até aqui.
6Então Pilatos, ouvindo de Galilea, perguntou se aquelle homem era Galileo.
7E entendendo que era da jurisdicção de Herodes, remetteo-o a Herodes: o qual tambem naquelles dias estava em Jerusalem.
8E vendo Herodes a Jesus, folgou muito: porque havia muito que o desejava ver, porquanto delle ouvia muitas cousas: e esperava que algum sinal lhe veria fazer.
9E perguntava-lhe com muitas palavras, mas elle nada lhe respondia.
10E estavão os Principes dos Sacerdotes, e os Escribas, accusando-o com grande vehemencia.
11E Herodes, com seus soldados, desprezando-o, e delle escarnecendo, o vestio de huma roupa resplandecente, e o tornou a enviar a Pilatos.
12E no mesmo dia Pilatos e Herodes se fizérão entre si amigos: porque d'antes andavão em inimizade hum contra o outro.
13E convocando Pilatos aos Principes dos Sacerdotes, e aos Magistrados, e ao povo, disse-lhes:
14Haveis-me apresentado este homem, como que perverte ao povo: e vedes aqui, examinando-o eu em vossa presença, nenhuma culpa das de que o accusais, acho neste homem.
15E nem ainda Herodes: porque a elle vos remetti: e eis aqui que nenhuma cousa digna de morte tem feito.
16Castigá-lo-hei pois e soltá-lo-hei.
17E era-lhe necessario soltar-lhes a hum, pela Festa.
18Porém toda a multidão clamou á huma, dizendo: fóradaqui com este, e solta-nos a Barrabbas.
19O qual por huma sedição feita na cidade, e por huma morte, fóra lançado na prisão.
20Falou-lhes pois outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus.
21Mas elles clamavão em contra, dizendo: crucifica-o, crucifica-o.
22E elle lhes disse a terceira vez: pois que mal fez este? nenhuma culpa de morte nelle achei. Castigá-lohei pois, e solta-lo-hei.
23Mas elles instavão com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E seus gritos, e os dos Principes dos Sacerdotes, se esforçavão ainda mais.
24Então julgou Pilatos que se fizesse o que pedião.
25E soltou-lhes ao que fôra lançado na prisão por huma sedição emorte, que era o que pedião: porém a Jesus lhes entregou á sua vontade.
26E indo-o já levando, tomarão a hum Simão Cyreneo, que vinha do campo, e puzérão-lhe a cruz ás costas, para que a levasse após Jesus.
27E seguia-o grande multidão de povo, e de mulheres, as quaes tambem batião nos peitos, e o lamentavão.
28E virando-se Jesus para ellas, disse: Filhas de Jerusalem, não choreis por mim, mas chorai por vós mesmas, e por vossos filhos.
29Porque vedes aqui, que dias vem, em que dirão: Bemaventuradas as estereis, e os ventres que não parirão, e os peitos que não criárão.
30Então começarão a dizer aos montes: Cahi sobre nósoutros; e aos outeiros: cobri-nos.
31Porque se isto fazem ao madeiro verde, ao seco que se fará?
32E levarão tambem outros dous, sendo malfeitores, a matar com elle.
33E como vierão ao lugar chamado a Caveira, crucificarão-o ali, e aos malfeitores, hum á mão direita, e outro á esquerda.
34E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E repartindo seus vestidos, lançarão sortes.
35E o povo estava olhando: e zombavão tambem delle os Principes juntamente com elles, dizendo: a outros salvou, salve-se agora a si mesmo, se he o Christo, o escolhido de Deos.
36E escarnecião delle tambem os soldados, chegando-se a elle, e apresentando-lhe vinagre;
37E dizendo: Se tu es o Rei dos Judeos, salva-te a ti mesmo.
38E estava tambem por cima delle hum titulo escrito com letras Gregas, e Romanas, e Hebraicas; ESTE HE O REI DOS JUDEOS.
39E hum dos malfeitores que pendurados estavão, blasfemava delle, dizendo: Se tu es o Christo, salva-te a ti mesmo, e a nósoutros.
40Porém respondendo o outro, reprehendia-o, dizendo; nem ainda tu temes a Deos, estando na mesma condemnação?
41E nósoutros em verdade justamente: Porque o que nossos feitos merecião, isso recebemos; mas este nenhum mal fez.
42E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando vieres em teu Reino.
43E Jesus lhe disse: Em verdade te digo, que hoje estarás comigo no Paraiso.
44E era já quasi a hora sexta, e houve trevas em toda a terra, até a hora nona.
45E o Sol se escureceo, e o veo do Templo se rasgou pelo meio.
46E clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, em tuas mãos encommendo meu espirito. E havendo dito isto expirou.
47E vendo o Centurião o que havia acontecido, deo gloria a Deos, dizendo: Verdadeiramente este homem era justo.
48E toda multidão que se ajuntara a este espectáculo, vendo o que havia acontecido, tornava batendo nos peitos.
49E estavão de longe todos seus conhecidos, e as mulheres, que juntamente desde Galilea o havião seguido, vendo estas cousas.
50E eis que hum varão por nome José, Senador, homem de bem e justo,
51(Que nem em seu conselho, nem em seus feitos havia consentido) de Arimathea, cidade dos Judeos, e que tambem esperava o Reino de Deos.
52Este, chegando a Pilatos, pedio o corpo de Jesus.
53E havendo-o tirado, envolveo-o em hum lançol fino, e pô-lo em hum sepulcro, lavrado em huma penha, aonde ainda nunca ninguem havia sido posto.
54E era o dia de Preparação, e o Sabbado esclarecia.
55E tambem as mulheres que com elle vierão de Galilea, o seguirão, e virão o sepulcro, e como seu corpo nelle foi posto.
56E tornadas ellas, aparelhárão especiarias e unguentos; e repousárão o Sabbado, conforme ao mandamento.