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II Samuel 13-14: Amnom, Tamar e Absalão, a Ruína na Casa de Davi
A espada anunciada por Natã entra no palácio: Amnom violenta Tamar, Absalão se vinga e foge, e Davi, entre a omissão e a saudade, não sabe como agir.
A Espada Entra em Casa
No estudo anterior, Davi confessou o pecado com Bate-Seba e foi perdoado. Mas o profeta Natã tinha anunciado uma consequência: "não se apartará a espada jamais da tua casa" e "da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti" (2 Samuel 12:10-11). Os capítulos 13 e 14 mostram essa palavra começando a se cumprir, não por meio de inimigos de fora, mas entre os próprios filhos do rei.
É uma história dura, com violência sexual, vingança e um pai que não sabe o que fazer. A Bíblia conta tudo sem suavizar. O que acontece com uma família quando o mal é cometido e ninguém age com justiça?

A Violência de Amnom contra Tamar (2 Samuel 13:1-22)
Amnom era o primogênito de Davi; Absalão era o terceiro filho, e Tamar, irmã de Absalão por parte de pai e mãe (2 Samuel 3:2-3; 13:1). Amnom se diz apaixonado por Tamar a ponto de adoecer (2 Samuel 13:2). Um primo, Jonadabe, "homem mui sagaz", sugere um plano: fingir-se doente e pedir ao rei que Tamar vá preparar comida para ele (2 Samuel 13:3-5).
Davi, sem desconfiar, manda a filha à casa de Amnom (2 Samuel 13:7). Ali, depois de mandar todos saírem, Amnom a agarra. Tamar resiste com palavras firmes e lúcidas:
Ela pensa na própria vergonha e no que ele se tornaria: "como um dos loucos de Israel" (2 Samuel 13:13). Mas ele "não quis dar ouvidos" e, sendo mais forte, a violentou (2 Samuel 13:14). Logo depois, o suposto amor vira aversão. Amnom a expulsa e manda o servo trancar a porta atrás dela (2 Samuel 13:15-17). Tamar sai com cinza na cabeça, rasga a túnica de mangas compridas que as filhas do rei usavam e vai embora clamando (2 Samuel 13:18-19).
As reações dos homens da família são o centro trágico da história. Absalão manda a irmã se calar: "cala-te; é teu irmão" (2 Samuel 13:20). Davi fica muito irado (2 Samuel 13:21), mas o texto não registra nenhuma ação dele. A antiga tradução grega, a Septuaginta, acrescenta que ele não quis entristecer Amnom, porque o amava como primogênito. Tamar fica "desolada em casa de Absalão" (2 Samuel 13:20), e o texto não volta a falar dela. Absalão não fala com Amnom "nem mal nem bem", mas guarda o ódio (2 Samuel 13:22).
A Vingança de Absalão (2 Samuel 13:23-39)
Dois anos se passam. Absalão faz uma festa de tosquia de ovelhas em Baal-Hazor e convida todos os filhos do rei (2 Samuel 13:23). Pede que Amnom vá, e Davi, desconfiado, pergunta: "Para que iria ele contigo?" (2 Samuel 13:26). Mesmo assim deixa ir. Quando Amnom está alegre de vinho, os servos de Absalão o matam (2 Samuel 13:28-29).
A primeira notícia que chega ao palácio é pior que a verdade: "Absalão feriu todos os filhos do rei" (2 Samuel 13:30). Davi rasga as vestes e se lança por terra. É o mesmo Jonadabe que tinha dado o plano a Amnom quem agora explica que só Amnom morreu, e que Absalão planejava isso desde o dia em que Tamar foi violentada (2 Samuel 13:32). Absalão foge para Gesur, para a casa do avô materno, o rei Talmai, e fica lá três anos (2 Samuel 13:37-38).
A Mulher de Tecoa (2 Samuel 14:1-24)
Davi pranteia Absalão "todos os dias" (2 Samuel 13:37) e, com o tempo, se consola da morte de Amnom (2 Samuel 13:39). Joabe percebe que o coração do rei se inclina para o filho e arma um plano. Traz de Tecoa uma "mulher sábia", veste-a de luto e lhe põe as palavras na boca (2 Samuel 14:1-3).
A mulher conta ao rei uma história inventada: era viúva, tinha dois filhos, e um matou o outro numa briga no campo. Agora a família queria matar o que restou, e assim apagariam "a última brasa" que lhe ficou (2 Samuel 14:5-7). Davi jura que nenhum fio de cabelo do rapaz vai cair (2 Samuel 14:11). É então que ela vira a história para o próprio rei: se ele protege o filho de uma viúva, por que não faz voltar o seu próprio desterrado? (2 Samuel 14:13).
Davi percebe a mão de Joabe por trás de tudo, e a mulher confirma (2 Samuel 14:19). O rei manda trazer Absalão, mas com uma condição estranha: "Torne para a sua casa e não veja a minha face" (2 Samuel 14:24). Absalão volta para Jerusalém, mas não para o pai. A frase da mulher sobre um Deus que procura trazer o banido de volta é bonita, mas Davi faz uma reconciliação pela metade.

Um Beijo sem Reconciliação (2 Samuel 14:25-33)
O texto faz uma pausa para descrever Absalão. Não havia em Israel homem tão admirado pela beleza: "da planta do pé ao alto da cabeça, não havia nele defeito algum" (2 Samuel 14:25). O cabelo, cortado uma vez por ano, pesava duzentos siclos (2 Samuel 14:26). Ele dá à filha o nome da irmã, Tamar (2 Samuel 14:27). O detalhe do cabelo vai voltar na história, de forma trágica, no capítulo 18.
Absalão passa dois anos em Jerusalém sem ver o rosto do pai (2 Samuel 14:28). Chama Joabe duas vezes, e Joabe não vem. Então Absalão manda pôr fogo na plantação de cevada de Joabe, que logo aparece (2 Samuel 14:29-31). Absalão exige ver o rei: "se há em mim alguma culpa, que me mate" (2 Samuel 14:32). Davi o recebe, Absalão se prostra, e o capítulo termina com uma frase curta: "O rei beijou a Absalão" (2 Samuel 14:33).
Parece um final feliz, mas não é. Não houve conversa, confissão nem justiça. Absalão usou fogo para conseguir o que queria, e o texto não diz que ele se arrependeu de nada. O próximo capítulo mostra o que estava no coração dele: uma revolta contra o pai.
- 2 Samuel 13:1-14: o plano de Amnom e a violência contra Tamar.
- 2 Samuel 13:15-22: Tamar é expulsa; o silêncio de Absalão e de Davi.
- 2 Samuel 13:23-36: Absalão manda matar Amnom na festa da tosquia.
- 2 Samuel 13:37-39: Absalão foge para Gesur.
- 2 Samuel 14:1-24: a mulher de Tecoa e a volta de Absalão a Jerusalém.
- 2 Samuel 14:25-33: a beleza de Absalão; o fogo na plantação de Joabe; o beijo do rei.
- Textos relacionados: Gênesis 34:7; Levítico 18:9; Números 35:19; 2 Samuel 3:2-3; 12:10-11; Salmos 34:18; Romanos 12:19.