Versículos de Atos 23 da Bíblia. Almeida Antiga (1848)
1E PONDO Paulo os olhos no Conselho, disse: Varoens irmãos, com toda boa consciencia tenho andado diante de Deos até o dia de hoje.
2Porem o Summo Pontifice Ananias mandou aos que com elle estavão, que na boca o ferissem.
3Então Paulo lhe disse: Ferir-te-ha Deos, parede caiada: estás tu tambem aqui assentado para me julgar conforme a Lei, e contra a Lei me mandas ferir?
4E os que ali estavão dissérão: ao Summo Pontifice de Deos injurias?
5E Paulo disse: não sabia, irmãos, que era o Summo Pontifice. Porque escrito está: ao Principe de teu povo não maldirás.
6E sabendo Paulo, que huma parte era de Sadduceos, e outra de Phariseos, clamou no Conselho: Varoens irmãos, eu sou Phariseo, filho de Phariseo; pela esperança e resurreição dos mortos sou julgado.
7E havendo dito isto, houve dissenção entre os Phariseos e os Sadduceos: e a multidão se dividio.
8Porque os Sadduceos dizem, que não ha resurreição, nem Anjo, nem Espirito: mas os Phariseos confessão ambas as cousas.
9E fez-se huma grande grita; e le vantando-se os Escribas da parte dos Phariseos, contendião dizendo; nenhum mal achamos neste homem: e se algum Espirito, ou Anjo, lhe falou, não repugnemos a Deos.
10E havendo grande dissençao, temendo o Tribuno que Paulo por elles não fosse despedaçado, mandou descer a soldadesca, e arrebatá-lo do meio delles, e levá-lo ao arraial.
11E a noite seguinte apresentandose-lhe o Senhor, disse: Tem bom animo Paulo; porque como de mim em Jerusalem testificaste, assim te importa testificar tambem em Roma.
12E vindo o dia, fizérão alguns dos Judeos huma conspiração, e se conspíração, e se conjurárão, dizendo, que nem comerião, nem beberião, até que a Paulo não matassem.
13E erão mais de quarenta os que esta conjuração fizérão.
14Os quaes forão aos Principes dos Sacerdotes, e aos Anciãos, e dissérão: conjurando-nos conjuramos, que nada gostaremos, até que a Paulo não matemos.
15Agora pois vósoutros, juntamente com o Conselho, fazei saber ao Tribuno que amanhã vo-lo traga, como que de seus negocios alguma cousa mais certa quereis saber; e antes que chegue, aparelhados estamos para o matar.
16E ouvindo o filho da irmã de Paulo estas ciladas, veio, e entrou no arraial, e denunciou-o a Paulo.
17E chamando Paulo a si a hum dos Centurioens, disse: Leva este mancebo ao Tribuno, porque tem que lhe denunciar.
18Tomando-o elle pois, levou-o, ao Tribuno, e disse: Chamando-me a si o preso Paulo, me rogou que te trouxesse este mancebo, que tem que te dizer.
19E o Tribuno, tomando-o pela mão, e apartando-se a huma banda, perguntou-lhe: que tens que me denunciar?
20E elle disse: os Judeos se concertarão de rogar-te, que amanhã a Paulo leves ao Conselho, como que delle hajão de inquirir alguma cousa maiscerta.
21Porem tu não os creas. Porque mais de quarenta homens delles lhe andão armando ciladas, os quaes sob pena de maldição se obrigárão a nem comêrem nem bebérem, até que o não tenhão morto; e já apercebidos estão, esperando de ti a promessa.
22Então o Tribuno despedio ao mancebo, mandando-lhe, que a ninguem mais dissesse que aquillo lhe manifestára.
23E chamando a si a certos dous dos Centurioés, disse: apercebei duzentos soldados que vão até Cesarea, e setenta de cavallo, e duzentos archeiros, para as tres horas da noite.
24E aparelhem cavalgaduras, para que pondo nellas a Paulo o levem emsalvo a Felix o Presidente.
25Escrevendo-lhe huma carta, que em summa isto continha:
26Claudio Lysias, a Felix, potentissimo Presidente, saude.
27Preso este varão pelos Judeos, e estando já em ponto de o matárem, sobrevim eu com a soldadesca, e tomei-lho informado que era Romano.
28E querendo saber a causa porque o accusavão, levei-lho a seu conselho.
29O qual achei que accusavão de algumas questoens de sua Lei; mas que nenhum crime digno de morte, ou de prisão, havia contra elle.
30E sendo-me notificado, que os Judeos a este varão ciladas havião de armar, logo to enviei: mandando tambem aos accusadores, que perante ti digão o que contra elle tiverem. Bem hajas.
31Tomando pois os soldados a Paulo, como lhes fora mandado, trouxérão-o de noite a Antipatris.
32E o dia seguinte, deixando ir com elle aos de cavallo, tornarão ao arraial.
33Os quaes como chegárão a Cesarea, e entregárão a carta ao Presidente, apresentárão-lhe tambem a Paulo.
34E o Presidente, lida a carta perguntou, de que Provincia era; e entendendo que de Cilicia,
35Ouvir-te-hei, disse, quando tambem aqui viérem teus accusadores. E mandou que o guardassem na Audiencia de Herodes.