Versículos de Atos 26 da Bíblia. Almeida Antiga (1848)
1E DISSE Agrippa a Paulo: permitte-se-te falar por ti mesmo. Paulo então estendendo a mão, assim em sua defeza respondeo:
2Por venturoso me tenho, ó Rei Agrippa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as cousas, de que dos Judeos sou accusado.
3Mormente sabendo eu, que tens noticia de todos os costumes, e questoens que entre os Judeos ha: pelo que te rogo que me ouças com paciencia.
4Minha vida pois, até desde a mocidade; qual desde o principio entre os de minha nação em Jerusalem haja sido, todos os Judeos o sabem:
5Como aquellesque ja de muito antes me conhecêrão (se he que testificar o querem), que conforme á mais perfeita seita de nossa Religião,sempre vivi Phariseo:
6E agora pela esperança da promessa, que de Deos aos Pais foi feita, aqui estou, e julgado sou.
7A' qual nossas doze Tribus, servindo continuamente de dia e de noite a Deos, espérão chegar: pela qual esperança,ó Rei Agrippa, sou eu dos Judeos accusado.
8Que? julga-se por cousa incrivel entre vósoutros, que Deos aos mortos resuscite?
9Bem tinha eu imaginado, que contra o nome de Jesus Nazareno devia eu usar muitas contrariedades.
10O que tambem fiz em Jerusalem; e havendo recebido poder dos Principes dos Sacerdotes, a muitos dos Santos encerrei em prisoens: e quando os matavão, tambem eu dava meu voto.
11E castigando-os muitas vezes por todas as Synagogas, os forcei a blasfemar. E enfurecido demasiadamente contra elles, até nas cidades estranhas os persegui.
12Ao que indo ainda a Damasco, com poder e commissão dos Principes dos Sacerdotes:
13Ao meio dia, vi no caminho, ó Rei, huma luz do ceo, que ao resplandor do sol excedia, e a mim, e aos que comigo ião, com sua claridade rodeou.
14E cahindo nós todos em terra, ouvi huma voz que me falava, e em lingua Hebraica dizia: Saulo, Saulo, porque me persegues? Dura cousa te he dar couces contra os aguilhoens.
15E disse eu: Quem es, Senhor' e elle disse: Eu sou Jesus, a quem tu persegues.
16Mas levanta-te, e poem-te sobre teus pés, porque para isto te appareci, para te pôr por ministro e testemunha, assim das cousas que ja tens visto, como das em que ainda te hei de apparecer:
17Livrando-te deste povo, e das Gentes, a quem agora te envio.
18Para lhes abrires os olhos, e das escuridades os convertéres á luz, e do poder de Satanás a Deos: para que recebão remissão dos peccados, e sorte entre os santificados pela fé em mim.
19Pelo que, ó Rei Agrippa, não fui esobediente á visão celestial.
20Antes primeiramente aos que em Damasco, e em Jerusalem, e por toda a terra de Judea estão, e ás Gentes denunciei, que se emendassem, e se convertessem a Deos, fazendo obras dignas de arrependimento.
21Por causa disto pegárão de mim os Judeos no Templo, e me procurarão matar.
22Porém alcançando socorro de Deos, ainda até o dia de hoje permaneço, testificando, assim a pequenos, como a grandes: não dizendo nada mais do que os Prophetas e Moyses dissérão, que havia de acontecer.
23Convem a saber, que o Christo devia padecer, e sendo o primeiro da resurreição dos mortos, havia de denunciar a luz a este povo, e ás Gentes.
24E dizendo elle isto em sua defeza, disse Festo em alta voz: Deliras, Paulo, as muitas letras te fazem delirar.
25Porém elle: não deliro, disse, ó potentissimo Festo; porém falo palavras de verdade, e de hum são juizo.
26Porque el-Rei, a quem usando de ousadia falo, sabe mui bem destas cousas; pois não creio que nada disto se lhe occulte: que não se fez isto em algum canto.
27Crés tu, ó Rei Agrippa, nos Prophetas? Bem sei que crés.
28E disse Agrippa a Paulo: por pouco me persuadirás a que me faça Christão.
29E disse Paulo: Prouvéra a Deos, que ou por pouco, ou por muito, não somente tu, porém tambem todos quantos hoje me estão ouvindo, taes vos tornareis qual eu sou, excepto estas cadeias.
30E dizendo elle isto, levantou-se el-Rei, e o Presidente, e Bernice, e os que com elles estavão assentados.
31E apartando-se a huma banda, falavão huns com os outros, dizendo: este homem nada faz digno de morte ou de prizoens.
32E disse Agrippa a Festo: Bem se podia este homem soltar, se a Cesar não houvéra appellado.