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Série Gênesis a Apocalipse Estudo 120 de 124 publicados Ver o mapa da série →

I Reis 1-2: Salomão no Trono

Davi está velho, Adonias se proclama rei, e Natã e Bate-Seba agem a tempo. Salomão é ungido em Giom, recebe as últimas instruções do pai e firma o reino.

Quem Vai Sentar no Trono de Davi?

O livro de Samuel terminou com Davi oferecendo sacrifícios na eira de Araúna, o lugar onde o templo seria construído (2 Samuel 24:25). O livro de Reis começa anos depois, com o grande rei velho, sem forças e com frio debaixo das cobertas (1 Reis 1:1). Deus tinha prometido a Davi um descendente que reinaria depois dele e construiria uma casa ao nome do Senhor (2 Samuel 7:12-13). Mas qual dos filhos?

Os capítulos 1 e 2 contam uma disputa de sucessão cheia de intrigas, alianças e ajustes de contas. É uma história muito humana, em que a promessa de Deus se cumpre por meio de pessoas que agem com coragem, com astúcia e, às vezes, com dureza. Como o reino passa de Davi para Salomão?

Bate-Seba se inclina diante do rei Davi, idoso e deitado, enquanto o profeta Natã entra no quarto e Abisague cuida do rei

Adonias Diz: "Eu Reinarei" (1 Reis 1:1-10)

Davi está tão velho que os servos procuram uma jovem para cuidar dele e aquecê-lo. Encontram Abisague, de Suném, que o serve, mas "o rei não a possuiu" (1 Reis 1:1-4). O detalhe mostra que Davi perdeu o vigor e, para muitos naquela época, a capacidade de governar.

É nesse vazio que Adonias, o filho mais velho ainda vivo, se apresenta: "Eu reinarei" (1 Reis 1:5). Ele repete os passos de Absalão: carros, cavaleiros e cinquenta homens correndo à frente. O texto faz um comentário sobre a criação dele que lembra os erros de Davi como pai: "Jamais seu pai o contrariou, dizendo: Por que procedes assim?" (1 Reis 1:6).

Adonias forma um partido forte: Joabe, o velho comandante do exército, e Abiatar, o sacerdote (1 Reis 1:7). Do outro lado ficam Zadoque, o sacerdote, Benaia, o chefe da guarda, o profeta Natã e os valentes de Davi (1 Reis 1:8). Adonias oferece um grande banquete junto à fonte de Rogel e convida os filhos do rei e os homens de Judá, mas deixa de fora Salomão e os que o apoiavam (1 Reis 1:9-10). Quem não foi convidado sabia o que isso significava.


Natã, Bate-Seba e a Promessa do Rei (1 Reis 1:11-31)

O profeta Natã, o mesmo que tinha confrontado Davi por causa de Bate-Seba e que deu a Salomão o nome de Jedidias (2 Samuel 12:24-25), age rápido. Ele avisa Bate-Seba de que a vida dela e a do filho estão em perigo e combina um plano: ela lembra ao rei o juramento de que Salomão reinaria, e Natã entra em seguida para confirmar (1 Reis 1:11-14).

Bate-Seba entra no quarto, se prostra e fala com franqueza: "todo o Israel tem os olhos em ti, para que lhe declares quem será o teu sucessor" (1 Reis 1:20). Se o rei não decidir, quando ele morrer, ela e Salomão serão tratados como culpados (1 Reis 1:21). Natã chega e pergunta, com habilidade, se foi o rei quem mandou Adonias reinar sem avisar ninguém (1 Reis 1:24-27).

O velho rei desperta. Chama Bate-Seba e jura de novo:

Tão certo como vive o Senhor, que remiu a minha alma de toda a angústia, farei no dia de hoje, como te jurei pelo Senhor, Deus de Israel, dizendo: Teu filho Salomão reinará depois de mim e se assentará no meu trono, em meu lugar.
Intriga humana e propósito de Deus
O texto não registra quando Davi fez esse juramento, e alguns leitores se perguntam se Natã e Bate-Seba não estariam pressionando um rei esquecido. Mas outros textos confirmam que Salomão era o escolhido. Crônicas diz que Deus anunciou a Davi um filho que seria "homem sereno" e que se chamaria Salomão, nome ligado à palavra hebraica shalom, paz (1 Crônicas 22:9). E o próprio Adonias reconhece depois que o reino veio a Salomão "porque do Senhor ele o recebeu" (1 Reis 2:15). Como em toda a história de Davi, Deus cumpre a sua promessa por meio de decisões humanas, sem aprovar tudo o que as pessoas fazem.

"Viva o Rei Salomão!" (1 Reis 1:32-53)

Davi dá ordens precisas. Salomão deve montar a mula do rei, descer até a fonte de Giom e ser ungido por Zadoque e Natã; depois, tocar a trombeta, gritar "Viva o rei Salomão!" e trazê-lo para se assentar no trono (1 Reis 1:33-35). Tudo é feito diante do povo. Zadoque toma do tabernáculo o chifre do azeite e unge Salomão, e a festa é tão barulhenta que "parecia fender-se a terra" (1 Reis 1:39-40).

A mula do rei e a fonte de Giom
A fonte de Giom, no vale do Cedrom, era a principal fonte de água de Jerusalém, e ficava perto o bastante da fonte de Rogel para que Adonias e os seus convidados ouvissem o barulho (1 Reis 1:41). Montar a mula do próprio Davi era um sinal público de que o rei tinha escolhido aquele filho. Séculos depois, o profeta Zacarias anunciaria um rei que viria "humilde, montado em jumento" (Zacarias 9:9), palavras que os evangelhos aplicam à entrada de Jesus em Jerusalém (Mateus 21:5).

No banquete de Adonias, Joabe estranha o barulho. Jônatas, filho de Abiatar, chega com a notícia: Davi fez Salomão rei, e ele já está no trono (1 Reis 1:41-46). Os convidados se levantam assustados e cada um vai embora (1 Reis 1:49). Adonias corre ao tabernáculo e se agarra às pontas do altar, pedindo que Salomão jure não matá-lo (1 Reis 1:50-51). Salomão responde com uma condição: "Se for homem de bem, nem um de seus cabelos cairá em terra; porém, se se achar nele maldade, morrerá" (1 Reis 1:52).

Adonias, com medo de Salomão, se agarra às pontas do altar de bronze diante do tabernáculo

As Últimas Palavras de Davi e o Reino Firmado (1 Reis 2)

Perto da morte, Davi chama Salomão e lhe deixa um conselho que resume o que se esperava de um rei em Israel:

Eu vou pelo caminho de todos os mortais. Coragem, pois, e sê homem! Guarda os preceitos do Senhor, teu Deus, para andares nos seus caminhos…

As palavras lembram as que Deus disse a Josué: "sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei" (Josué 1:7). A força do rei não estaria nos exércitos, mas na obediência à Lei de Moisés. Davi lembra a Salomão que a promessa de um sucessor no trono depende de os filhos andarem "fielmente, de todo o seu coração e de toda a sua alma" (1 Reis 2:4).

Depois vêm instruções mais duras: Salomão não deve deixar Joabe morrer em paz, por causa das mortes de Abner e Amasa, nem considerar Simei inocente; e deve tratar com bondade os filhos de Barzilai (1 Reis 2:5-9). Davi morre depois de quarenta anos de reinado, sete em Hebrom e trinta e três em Jerusalém (1 Reis 2:10-11).

Como o reino foi firmado
  • Adonias pede, por meio de Bate-Seba, Abisague como esposa. Salomão vê no pedido uma nova reivindicação ao trono e manda executá-lo (1 Reis 2:13-25).
  • Abiatar é poupado por ter servido Davi, mas é afastado do sacerdócio e mandado para Anatote, cumprindo a palavra contra a casa de Eli (1 Reis 2:26-27; 1 Samuel 2:31-35).
  • Joabe foge para o altar, mas é morto ali por Benaia, por ter derramado sangue inocente (1 Reis 2:28-34).
  • Simei recebe uma condição: não sair de Jerusalém. Três anos depois, ele a quebra e é executado (1 Reis 2:36-46).

O altar não protege Joabe porque a Lei dizia que quem matasse "à traição" seria tirado "até mesmo do meu altar, para que morra" (Êxodo 21:14). O capítulo termina com uma frase seca: "assim se firmou o reino sob o domínio de Salomão" (1 Reis 2:46).

Conclusão: a promessa cumprida e o desafio da obediência
Estes capítulos mostram a fidelidade de Deus à promessa feita a Davi, mesmo num cenário de disputas e ambições. Mostram também como as consequências de uma família mal conduzida chegam até o fim da vida de Davi. Os ajustes de contas de Salomão parecem duros para nós, e o texto os apresenta como justiça de um rei do seu tempo, não como modelo para hoje. O conselho que fica para todos é o de Davi ao filho: ter coragem para obedecer a Deus. O trono estava firmado; a questão agora era se o coração do novo rei também estaria.
Referências Bíblicas
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