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Josué 23-24: Eu e a Minha Casa Serviremos ao Senhor
Já velho, Josué reúne Israel duas vezes, recorda tudo o que Deus fez e coloca o povo diante de uma escolha que cada geração precisa fazer.
As Últimas Palavras de Josué
A terra foi repartida, os levitas receberam suas cidades e as tribos do outro lado do Jordão voltaram para casa. O livro de Josué poderia terminar ali. Mas um líder que viu tanta coisa sabe que conquistar é uma etapa e permanecer fiel é outra. Por isso os dois últimos capítulos são discursos de despedida.
Josué fala duas vezes. No capítulo 23, a um grupo de líderes, ele dá conselhos e faz um alerta. No capítulo 24, a todas as tribos reunidas em Siquém, ele reconta a história de Israel e pede uma decisão. A pergunta é a mesma nos dois: depois de tudo o que Deus fez, a quem o povo vai servir?

Conselhos de um Velho Líder (Josué 23)
"Já sou velho e entrado em dias" (Josué 23:2). Josué começa lembrando o que todos tinham visto: foi o Senhor quem lutou por Israel (Josué 23:3). As vitórias não foram mérito do povo. Ainda havia nações na terra, e Deus prometia expulsá-las (Josué 23:5).
O primeiro conselho repete o que o próprio Josué tinha ouvido no começo do livro (Josué 1:7):
O risco agora não era a guerra, mas a convivência. Os povos que ficaram na terra tinham seus deuses, e Josué é bem concreto: não mencionar seus nomes, não jurar por eles, não servi-los (Josué 23:7). Em vez disso, "ao Senhor, vosso Deus, vos apegareis" (Josué 23:8). E o que sustenta essa fidelidade é o amor: "empenhai-vos em guardar a vossa alma, para amardes o Senhor" (Josué 23:11).
Depois vem o alerta. Se Israel se misturasse com aquelas nações e adotasse seus deuses, elas seriam "por laço e rede, e açoite às vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos" (Josué 23:13). A mesma fidelidade que cumpriu as boas promessas cumpriria também as ameaças (Josué 23:14-15). Deus não muda conforme a conveniência do povo.
A História Contada de Novo (Josué 24:1-13)
Josué reúne todas as tribos em Siquém, e eles se apresentam "diante de Deus" (Josué 24:1). O lugar tem história. Foi em Siquém que Deus apareceu a Abrão e prometeu a terra à sua descendência (Gênesis 12:6-7). Foi perto dali, no monte Ebal, que Josué tinha lido a lei ao povo (Josué 8:30-35).
Desta vez, quem fala na primeira pessoa é o próprio Senhor, pela boca de Josué. E a história começa por um detalhe incômodo: os antepassados de Israel, "Tera, pai de Abraão e de Naor, habitaram dalém do Eufrates e serviram a outros deuses" (Josué 24:2). Israel não começou fiel. Começou com Deus chamando alguém do meio da idolatria.
- O chamado: Abraão tirado de além do Eufrates, Isaque, Jacó e Esaú (Josué 24:2-4).
- O Egito: Moisés e Arão, as pragas e a travessia do mar (Josué 24:5-7).
- O deserto e a Transjordânia: a vitória sobre os amorreus e a bênção de Balaão (Josué 24:8-10).
- A terra: Jericó, os povos de Canaã e a terra recebida como presente (Josué 24:11-13).
O verbo que mais aparece é "eu": eu tomei, eu dei, eu enviei, eu vos tirei, eu os entreguei. Tudo foi feito por Deus, "não com a tua espada, nem com o teu arco" (Josué 24:12). E a conclusão é um retrato da graça:
Escolhei, Hoje (Josué 24:14-25)
Só depois de recontar o que Deus fez é que Josué pede uma resposta: "temei ao Senhor e servi-o com integridade e com fidelidade; deitai fora os deuses" (Josué 24:14). A ordem é importante. A obediência vem como resposta à graça, não como condição para recebê-la.
Repare nas opções. Josué não oferece a escolha entre Deus e nenhum deus. As alternativas são os deuses antigos da família ou os deuses da moda da nova terra. Todo mundo serve a alguma coisa. A pergunta é a quem. E Josué não espera a resposta do povo para dar a sua: ele e a sua casa já tinham decidido.
O povo responde com entusiasmo: "Longe de nós o abandonarmos o Senhor" (Josué 24:16). Então Josué faz algo surpreendente: "Não podereis servir ao Senhor, porquanto é Deus santo, Deus zeloso" (Josué 24:19). Ele não está desanimando o povo. Está impedindo uma promessa leviana. Servir a Deus não é um entusiasmo de momento.
O povo insiste três vezes (Josué 24:16-18, 21, 24). Josué então os faz testemunhas contra si mesmos (Josué 24:22) e pede um gesto concreto: "deitai fora os deuses estranhos que há no meio de vós" (Josué 24:23). O pedido revela que havia ídolos guardados. Séculos antes, perto de Siquém, Jacó tinha pedido o mesmo à sua família e enterrado os deuses estrangeiros "debaixo do carvalho que está junto a Siquém" (Gênesis 35:4). Naquele dia, Josué fez aliança com o povo (Josué 24:25).
Uma Pedra, Três Túmulos (Josué 24:26-33)
Josué escreve as palavras no Livro da Lei e levanta uma grande pedra "debaixo do carvalho que estava em lugar santo do Senhor" (Josué 24:26). A pedra seria testemunha, "pois ouviu todas as palavras que o Senhor nos tem dito" (Josué 24:27). É uma forma viva de dizer que aquele compromisso tinha ficado registrado diante de Deus.

O livro termina com três sepultamentos. Josué morre com cento e dez anos e é chamado, como Moisés, de "servo do Senhor" (Josué 24:29; Deuteronômio 34:5). Os ossos de José, trazidos do Egito conforme ele tinha pedido (Gênesis 50:25; Êxodo 13:19), são enterrados em Siquém, no campo que Jacó tinha comprado (Josué 24:32; Gênesis 33:19). E morre Eleazar, o sacerdote (Josué 24:33). Uma geração inteira chega ao fim.
No meio desses túmulos está uma frase que traz esperança e alerta ao mesmo tempo: "Serviu, pois, Israel ao Senhor todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué" (Josué 24:31). A fidelidade durou enquanto viveram os que tinham visto as obras de Deus. O livro de Juízes vai mostrar o que aconteceu depois, quando se levantou "outra geração após eles... que não conhecia o Senhor" (Juízes 2:10).
- Josué 23:1-13: Josué exorta os líderes a guardar a lei e a não se misturar com os deuses das nações.
- Josué 23:14-16: nenhuma promessa falhou, e as advertências também se cumprirão.
- Josué 24:1-13: em Siquém, Deus reconta a história de Israel desde Abraão.
- Josué 24:14-25: "escolhei, hoje, a quem sirvais" e a renovação da aliança.
- Josué 24:26-33: a pedra-testemunha e as mortes de Josué e Eleazar; os ossos de José em Siquém.
- Textos relacionados: Gênesis 12:6-7; Gênesis 35:2-4; Gênesis 50:25; Êxodo 20:5; Josué 1:7-8; Juízes 2:8-10; Hebreus 4:8-9.