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Rute 3-4: Boaz, o Resgatador
Uma noite na eira, uma reunião na porta da cidade e um casamento que devolve a Noemi o que ela tinha perdido. No fim, um menino que será avô do rei Davi.
Do Vazio à Plenitude
No estudo anterior, Noemi chegou a Belém dizendo que o Senhor a tinha feito "voltar pobre" (Rute 1:21). Rute passou a colheita inteira no campo de Boaz, e Noemi descobriu que ele era "um dentre os nossos resgatadores" (Rute 2:20). A colheita acabou. E agora?
Os capítulos 3 e 4 respondem com duas cenas. Uma acontece de noite, numa eira, longe dos olhos de todos. A outra acontece de dia, na porta da cidade, diante de testemunhas. Nas duas, a pergunta é a mesma: quem vai assumir a responsabilidade de resgatar esta família? O fim da história vai muito além do que Noemi e Rute poderiam imaginar.

Um Plano Arriscado (Rute 3:1-5)
Desta vez é Noemi quem toma a iniciativa. A mulher amargurada do capítulo 1 agora pensa no futuro da nora: "Minha filha, não hei de eu buscar-te um lar, para que sejas feliz?" (Rute 3:1). Ela sabe que Boaz vai passar a noite na eira, cuidando da cevada debulhada, e propõe um plano.
Rute deve se banhar, se perfumar, vestir a melhor roupa e esperar Boaz terminar de comer. Quando ele se deitar, deve descobrir os pés dele e se deitar ali (Rute 3:3-4). O plano é ousado e arriscado. Uma mulher sozinha à noite na eira podia ser mal interpretada, e a reputação dela, e a de Boaz, estavam em jogo. Rute responde com a mesma confiança que mostrou no caminho de Moabe: "Tudo quanto me disseres farei" (Rute 3:5).
Uma Noite na Eira (Rute 3:6-18)
À meia-noite, Boaz acorda assustado e encontra uma mulher deitada a seus pés. "Quem és tu?", pergunta. E Rute faz mais do que o plano de Noemi previa (Rute 3:9):
Noemi tinha dito que Boaz diria a Rute o que fazer. Mas é Rute quem diz a Boaz o que fazer. O pedido para estender a capa era uma forma de pedir casamento, como mostra a imagem usada em Ezequiel 16:8 para a aliança de Deus com o seu povo. E há um detalhe bonito: a palavra hebraica traduzida por "capa" é a mesma traduzida por "asas" em Rute 2:12. Boaz tinha abençoado Rute dizendo que ela buscara refúgio sob as asas do Senhor. Agora ela lhe pede que ele mesmo seja a resposta dessa bênção.
Boaz responde com bênção, não com suspeita: "Bendita sejas tu do Senhor, minha filha; melhor fizeste a tua última benevolência que a primeira" (Rute 3:10). A primeira foi a lealdade a Noemi. A segunda é procurar um resgatador para a família, em vez de buscar um marido jovem só para si. E ele acrescenta: "toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa" (Rute 3:11), a mesma expressão do famoso elogio de Provérbios: "Mulher virtuosa, quem a achará?" (Provérbios 31:10).
Mas há um obstáculo. Existe outro resgatador, parente mais próximo (Rute 3:12). Boaz não passa por cima da Lei. Promete resolver tudo no dia seguinte, "tão certo como vive o Senhor" (Rute 3:13), protege a reputação de Rute mandando-a sair antes do amanhecer e enche o manto dela com seis medidas de cevada: "Não voltes para a tua sogra sem nada" (Rute 3:15-17). Noemi, que tinha voltado vazia, recebe um sinal de que o vazio está acabando. E ela conhece Boaz: "aquele homem não descansará, enquanto não se resolver este caso ainda hoje" (Rute 3:18).
Na Porta da Cidade (Rute 4:1-12)
Na manhã seguinte, Boaz se senta na porta de Belém, onde se faziam os negócios e os julgamentos. O outro resgatador passa por ali, e Boaz o chama sem dizer o nome; o texto o trata apenas como "fulano" (Rute 4:1). Dez anciãos se sentam como testemunhas.
Boaz conduz a conversa com habilidade. Primeiro fala só da terra de Elimeleque, que Noemi está vendendo. O parente se anima: "Eu a resgatarei" (Rute 4:4). Então Boaz acrescenta a outra parte: quem comprar a terra também deve tomar Rute, a moabita, "para suscitar o nome do esposo falecido, sobre a herança dele" (Rute 4:5). O parente recua. Um filho com Rute herdaria a terra no nome de Malom, e ele teria gasto o seu dinheiro numa herança que não ficaria para os seus: "para que não prejudique a minha" (Rute 4:6).
O negócio é confirmado com um costume antigo: o parente tira a sandália e a entrega a Boaz (Rute 4:7-8). Boaz declara diante de todos que compra a herança de Elimeleque e toma Rute por mulher, "para que este nome não seja exterminado dentre seus irmãos" (Rute 4:10). O povo responde com bênçãos: que Rute seja como Raquel e Lia, que edificaram a casa de Israel, e que a casa de Boaz seja "como a casa de Perez, que Tamar teve de Judá" (Rute 4:11-12).
Um Filho para Noemi (Rute 4:13-22)
Boaz e Rute se casam, "e o Senhor lhe concedeu que concebesse, e teve um filho" (Rute 4:13). Em Moabe, Rute tinha passado quase dez anos casada sem ter filhos (Rute 1:4-5). Agora o texto diz claramente quem deu a criança: o Senhor.
A cena final, porém, não é centrada em Rute nem em Boaz, mas em Noemi. As mulheres de Belém, as mesmas que tinham perguntado "Não é esta Noemi?", agora a cercam:
Noemi toma o menino no colo e cuida dele (Rute 4:16). A mulher que se chamou Mara, amarga, e disse ter voltado vazia, agora tem os braços cheios. E as vizinhas dizem: "A Noemi nasceu um filho" (Rute 4:17). O nome dele é Obede.

Só então vem a revelação que muda a dimensão de tudo: "Este é o pai de Jessé, pai de Davi" (Rute 4:17). A história de uma família pobre de Belém era, na verdade, parte da história do maior rei de Israel. A genealogia final, de Perez até Davi, mostra o fio que liga tudo (Rute 4:18-22).
- Rute 3:1-5: o plano de Noemi para buscar um lar para Rute.
- Rute 3:6-18: Rute e Boaz na eira, o pedido de resgate e a promessa de Boaz.
- Rute 4:1-12: o resgatador mais próximo, a sandália e o casamento na porta de Belém.
- Rute 4:13-17: o nascimento de Obede e a alegria de Noemi.
- Rute 4:18-22: a genealogia de Perez a Davi.
- Textos relacionados: Levítico 25:25, 47-49; Deuteronômio 25:5-9; Provérbios 31:10; Ezequiel 16:8; Mateus 1:3-6.