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Josué 3-5: A Travessia do Jordão e a Preparação em Gilgal
A arca vai à frente, as águas do Jordão param e Israel entra na terra. Antes da primeira batalha, o povo levanta pedras, renova a aliança e celebra a Páscoa.
Entrar na Terra com Deus à Frente
Os espias voltaram de Jericó com uma boa notícia: "Certamente, o Senhor nos deu toda esta terra nas nossas mãos" (Josué 2:24). Mas ainda havia um rio no caminho. Era tempo de colheita, e o Jordão "transbordava sobre todas as suas ribanceiras" (Josué 3:15). Um povo inteiro, com crianças e rebanhos, precisava atravessar.
Josué 3-5 conta essa travessia e o que aconteceu logo depois. O que chama a atenção é a ordem dos acontecimentos. Antes da primeira batalha, Israel levanta um memorial, renova o sinal da aliança e celebra a Páscoa. Para entrar na terra, o povo precisou primeiro lembrar quem era e a quem pertencia.

A Arca Vai à Frente (Josué 3)
Depois de três dias acampados à beira do rio, os oficiais dão a instrução: quando virem a arca da Aliança levada pelos sacerdotes, o povo deve segui-la (Josué 3:2-3). Mas a uma distância de "cerca de dois mil côvados", perto de um quilômetro, "para que conheçais o caminho pelo qual haveis de ir, visto que, por tal caminho, nunca passastes antes" (Josué 3:4). A arca era o sinal da presença de Deus. Ela abria o caminho; o povo vinha atrás.
Josué pede preparo espiritual: "Santificai-vos, porque amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de vós" (Josué 3:5). E Deus anuncia que aquele dia confirmaria a liderança de Josué: "como fui com Moisés, assim serei contigo" (Josué 3:7).
O milagre acontece no momento em que os sacerdotes molham os pés na água. As águas que vinham de cima param e se amontoam longe dali, perto da cidade de Adã; as que desciam para o mar Salgado se esgotam (Josué 3:15-16).
A cena lembra a travessia do mar Vermelho, quando "os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco" (Êxodo 14:22). A geração que saiu do Egito viu o mar se abrir. Agora, os seus filhos veem o rio parar. O mesmo Deus que tirou o povo do Egito estava colocando o povo na terra.
Doze Pedras para Lembrar (Josué 4)
Com o povo já do outro lado, Deus manda escolher doze homens, um de cada tribo. Cada um deve tirar uma pedra do meio do Jordão, do lugar onde os sacerdotes estavam parados, e levá-la nos ombros até o acampamento (Josué 4:1-5). As pedras teriam uma função clara:
A resposta já vem pronta: "as águas do Jordão foram cortadas diante da arca da Aliança do Senhor" (Josué 4:7). As pedras eram uma forma de ensinar a fé às crianças. A mesma ideia aparece na Páscoa, quando o filho pergunta "Que é isso?" e o pai conta a libertação do Egito (Êxodo 13:14). Josué também levanta doze pedras no próprio leito do rio, onde os sacerdotes pararam (Josué 4:9).

Os sacerdotes ficam no meio do rio até que todos passem, inclusive os quarenta mil guerreiros de Rúben, Gade e Manassés, que cumprem a promessa feita a Moisés (Josué 4:10-13). Só quando os pés dos sacerdotes tocam a terra seca o rio volta a correr (Josué 4:18). Naquele dia, o povo passou a respeitar Josué "como haviam respeitado a Moisés" (Josué 4:14).
A data também importa: o povo sai do Jordão "no dia dez do primeiro mês" (Josué 4:19), o mesmo dia em que, no Egito, cada família separava o cordeiro da Páscoa (Êxodo 12:3). Em Gilgal, Josué ergue as doze pedras e explica o motivo final: "Para que todos os povos da terra conheçam que a mão do Senhor é forte" (Josué 4:24).
Circuncisão e Páscoa em Gilgal (Josué 5:1-12)
A notícia do rio que parou chega aos reis de Canaã, e o coração deles desmaia (Josué 5:1). Seria o momento perfeito para atacar. Mas Deus manda fazer outra coisa: circuncidar os homens de Israel (Josué 5:2).
O motivo é explicado: os homens que saíram do Egito tinham sido circuncidados, mas os que nasceram durante os quarenta anos no deserto, não (Josué 5:4-7). A circuncisão era o sinal da aliança desde Abraão (Gênesis 17:10-11). Antes de receber a terra prometida a Abraão, a nova geração precisava levar o sinal dessa aliança.
Ainda acampados em Gilgal, os israelitas celebram a Páscoa no dia catorze do mês, nas campinas de Jericó (Josué 5:10). No dia seguinte, comem pela primeira vez do fruto da terra: pães asmos e cereais tostados (Josué 5:11). E então acontece algo silencioso, mas cheio de significado:
Durante quarenta anos o maná caiu todas as manhãs (Êxodo 16:35). Agora ele não é mais necessário. Deus continua sustentando o povo, mas de outro jeito: pela terra que ele deu.
O Príncipe do Exército do Senhor (Josué 5:13-15)
O capítulo termina com um encontro misterioso. Perto de Jericó, Josué vê um homem com uma espada desembainhada na mão. A pergunta de Josué é a de qualquer comandante: "És tu dos nossos ou dos nossos adversários?" (Josué 5:13).
A resposta desmonta a pergunta: "Não; sou príncipe do exército do Senhor" (Josué 5:14). Ele não veio tomar partido de Israel; veio no comando. A questão não era se Deus estava do lado de Josué, mas se Josué estava do lado de Deus. Josué entende, se prostra e pergunta: "Que diz meu senhor ao seu servo?" (Josué 5:14).
A ordem final é a mesma que Moisés ouviu diante da sarça ardente (Êxodo 3:5): "Descalça as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é santo" (Josué 5:15). A história de Josué começa onde a de Moisés começou, com um homem descalço diante da santidade de Deus. Quem é esse príncipe, o texto não diz. Alguns intérpretes veem nele um anjo; outros, por ele aceitar adoração, uma manifestação do próprio Senhor.
- Josué 3: a arca à frente do povo e as águas do Jordão que param.
- Josué 4: as doze pedras do memorial e o acampamento em Gilgal.
- Josué 5:1-12: a circuncisão da nova geração, a Páscoa e o fim do maná.
- Josué 5:13-15: o príncipe do exército do Senhor.
- Textos relacionados: Gênesis 17:10-11; Êxodo 3:5; Êxodo 12:3; Êxodo 14:22; Êxodo 16:35; Romanos 6:4; Colossenses 2:11.