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Série Gênesis a Apocalipse Estudo 88 de 89 publicados Ver o mapa da série →

Josué 11-12: A Conquista do Norte e os Reis Vencidos

Uma coalizão com cavalos e carros sem conta se reúne nas águas de Merom. Deus manda não temer, Hazor cai, a terra repousa e uma lista de 31 reis registra a fidelidade de Deus.

A Última Grande Coalizão

No estudo anterior, Israel defendeu Gibeão, viu o sol se deter e conquistou as cidades do sul de Canaã, "porquanto o Senhor, Deus de Israel, pelejava por Israel" (Josué 10:42). Restava o norte, uma região de vales férteis e cidades poderosas.

Josué 11 conta a última grande batalha da conquista, contra a maior coalizão que Israel já tinha enfrentado. Josué 12 parece só uma lista de nomes, mas é um registro do que Deus fez desde os dias de Moisés. Juntos, os dois capítulos fecham a primeira metade do livro com uma frase que Israel esperava ouvir havia muito tempo: "e a terra repousou da guerra" (Josué 11:23).

Jabim, rei de Hazor, envia mensageiros em carros de guerra a partir das portas da sua cidade

Como a Areia do Mar (Josué 11:1-5)

Quem organiza a reação é Jabim, rei de Hazor. Ele envia mensageiros a reis do norte, das montanhas, da Arabá, das planícies e da costa, e a todos os povos da terra, "aos amorreus, aos heteus, aos ferezeus, aos jebuseus… e aos heveus ao pé do Hermom" (Josué 11:1-3). O texto descreve um exército assustador:

Saíram, pois, estes e todas as suas tropas com eles, muito povo, em multidão como a areia que está na praia do mar, e muitíssimos cavalos e carros.

A expressão "como a areia que está na praia do mar" tem uma ironia. Era a mesma imagem da promessa de Deus a Abraão: "multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar" (Gênesis 22:17). Agora é o inimigo que aparece numeroso como a areia. E havia algo que Israel não tinha: cavalos e carros de guerra. Os exércitos se reúnem "junto às águas de Merom" (Josué 11:5), no norte, prontos para a batalha.

Carros de guerra e Hazor
No antigo Oriente Próximo, o carro de guerra puxado por cavalos era a arma mais temida, uma espécie de tropa de elite que poucos reinos podiam manter. Israel lutava a pé. O texto diz que Hazor "era a capital de todos estes reinos" (Josué 11:10), e as escavações no local indicam que ela foi uma das maiores cidades de Canaã no período do Bronze.

Não Temas: Cavalos e Carros (Josué 11:6-15)

Diante de um exército assim, Deus fala a Josué com uma promessa marcada no relógio: "Não temas diante deles, porque amanhã, a esta mesma hora, já os terás traspassado diante dos filhos de Israel" (Josué 11:6). E dá uma ordem curiosa: "os seus cavalos jarretarás e queimarás os seus carros".

Josué ataca de surpresa nas águas de Merom, e "o Senhor os entregou nas mãos de Israel" (Josué 11:7-8). A perseguição vai até Sidom, no litoral. Depois, Josué faz exatamente o que Deus mandou: "os seus cavalos jarretou e os seus carros queimou" (Josué 11:9).

Carros de guerra cananeus abandonados queimam junto às águas de Merom

Por que destruir armas que poderiam ser úteis? Porque Deus não queria que Israel passasse a confiar nelas. A Lei já tinha dito que o rei de Israel "não multiplicará para si cavalos" (Deuteronômio 17:16). O povo de Deus não devia ganhar as guerras com as mesmas armas dos outros povos, mas com a confiança no Senhor.

Davi diria depois, num salmo: "Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do Senhor, nosso Deus" (Salmos 20:7). E o profeta Isaías repete a advertência: "Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, porque são muitos" (Isaías 31:1). A lição de Merom atravessa a história de Israel.

Depois da batalha, Josué volta e toma Hazor, a capital da coalizão, e a queima (Josué 11:10-11). É a única cidade do norte que ele queima; as outras, "que estavam sobre os outeiros", ficam de pé (Josué 11:13). E o texto faz questão de dizer que tudo foi feito segundo a palavra recebida:

Como ordenara o Senhor a Moisés, seu servo, assim Moisés ordenou a Josué; e assim Josué o fez; nem uma só palavra deixou de cumprir de tudo o que o Senhor ordenara a Moisés.

É o maior elogio que o livro faz a Josué. A obediência passa de Deus a Moisés, de Moisés a Josué, e Josué não deixa cair nenhuma palavra.


Uma Guerra Longa e os Anaquins (Josué 11:16-23)

O resumo da conquista mostra o tamanho do que foi feito, do sul, "desde o monte Halaque, que sobe a Seir", até o norte, "ao pé do monte Hermom" (Josué 11:17). Mas também mostra que não foi rápido: "Por muito tempo, Josué fez guerra contra todos estes reis" (Josué 11:18). Os capítulos anteriores podem dar a impressão de vitórias instantâneas; aqui fica claro que foram anos de luta. Deus já tinha avisado que lançaria as nações fora "pouco a pouco" (Deuteronômio 7:22).

O versículo 20 traz uma afirmação difícil: "do Senhor vinha o endurecimento do seu coração para saírem à guerra contra Israel" (Josué 11:20). É a mesma linguagem usada para Faraó no Êxodo: "o Senhor endureceu o coração de Faraó" (Êxodo 9:12). Nenhuma cidade buscou a paz, a não ser Gibeão (Josué 11:19).

O endurecimento do coração
A Bíblia diz em alguns textos que Deus endureceu corações e, em outros, que as próprias pessoas endureceram os seus. Muitos intérpretes entendem que Deus confirma uma escolha que já foi feita: os reis de Canaã tinham ouvido falar do Egito, do Jordão e de Jericó, como Raabe e os gibeonitas ouviram, mas escolheram lutar. Outros dão mais peso à soberania de Deus sobre a história. As tradições cristãs divergem sobre como equilibrar essas duas verdades, mas concordam que o texto não apresenta os cananeus como vítimas sem escolha: Raabe e Gibeão mostram que havia outro caminho.

Em seguida, o texto fala dos anaquins (Josué 11:21-22). Eles eram os homens de grande estatura que, quarenta anos antes, tinham assustado os espias: "também vimos ali os filhos de Anaque" (Números 13:28). Foi o medo deles que levou a geração do deserto a desistir da terra. Agora, a nova geração os vence. Só restaram alguns "em Gaza, em Gate e em Asdode" (Josué 11:22), cidades que depois seriam dos filisteus. Muitos leitores lembram que Golias, o gigante enfrentado por Davi, era "de Gate" (1 Samuel 17:4).

Assim, tomou Josué toda esta terra, segundo tudo o que o Senhor tinha dito a Moisés; e Josué a deu em herança aos filhos de Israel, conforme as suas divisões e tribos; e a terra repousou da guerra.

O versículo resume o livro até aqui e anuncia o que vem a seguir: a divisão da terra entre as tribos. "Toda esta terra" não quer dizer que não sobrou nada a conquistar; logo no capítulo seguinte, Deus dirá a Josué que "ainda muitíssima terra ficou para se possuir" (Josué 13:1). Mas o poder dos reis de Canaã estava quebrado, e o povo podia começar a viver na terra.


Trinta e Um Reis (Josué 12)

Josué 12 é uma lista. Primeiro, os dois reis vencidos por Moisés a leste do Jordão: Seom, rei dos amorreus, e Ogue, rei de Basã, cujas terras foram dadas a Rúben, Gade e à meia tribo de Manassés (Josué 12:1-6). Depois, os reis vencidos por Josué a oeste do Jordão, um por um: "o rei de Jericó, um; o de Ai, que está ao lado de Betel, outro" (Josué 12:9), e assim por diante, até o fim: "ao todo, trinta e um reis" (Josué 12:24).

Para o leitor de hoje, é fácil pular listas como essa. Mas para Israel ela tinha um valor enorme. Cada nome era uma história lembrada: Jericó e as muralhas, Ai e o pecado de Acã, Jerusalém e os cinco reis, Hazor e os carros queimados. A lista também une as duas gerações: o que Deus começou com Moisés, ele continuou com Josué (Josué 12:6-7).

O que a lista dos reis lembra
  • A fidelidade de Deus: as promessas feitas a Moisés foram cumpridas (Josué 11:23).
  • A continuidade: os reis vencidos por Moisés e por Josué estão no mesmo registro (Josué 12:6-7).
  • A memória: cada cidade da lista guarda uma história do que Deus fez.
  • A gratidão: Israel recebeu a terra como herança, não como mérito próprio.
Conclusão: em quem está a nossa confiança
Josué 11-12 mostra Israel diante do maior exército da conquista, com cavalos e carros que ele não tinha. Deus mandou não temer e, depois da vitória, mandou destruir aquelas armas, para que o povo não passasse a confiar nelas. A lista dos trinta e um reis é a memória de que cada vitória veio dele. A carta aos Hebreus lembra que o repouso de Josué não foi o último: "resta um repouso para o povo de Deus" (Hebreus 4:9). Quais são os "cavalos e carros" em que somos tentados a confiar hoje?
Referências Bíblicas
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