Série Gênesis a Apocalipse Estudo 86 de 89 publicados Ver o mapa da série →
Josué 7-8: O Pecado de Acã e a Vitória em Ai, Quando o Escondido Vem à Luz
Depois de Jericó, uma derrota inesperada. Um pecado escondido numa tenda afeta todo Israel, até ser confessado. Então vem a vitória em Ai e a leitura da Lei no monte Ebal.
Uma Derrota Depois da Grande Vitória
Jericó tinha caído sem que Israel precisasse atacar. O capítulo anterior terminou com uma frase de triunfo: "era o Senhor com Josué; e corria a sua fama por toda a terra" (Josué 6:27). Mas também deixou um aviso: ninguém podia tomar nada das coisas condenadas da cidade, sob pena de tornar "maldito o arraial de Israel" (Josué 6:18).
Josué 7 começa contando ao leitor algo que Josué ainda não sabia: "Prevaricaram os filhos de Israel nas coisas condenadas; porque Acã… tomou das coisas condenadas" (Josué 7:1). Um homem pecou, e o texto diz que Israel pecou. Os capítulos 7 e 8 contam a derrota que veio desse pecado escondido, o caminho até a confissão e a vitória que veio depois. E terminam com o povo reunido entre dois montes, ouvindo a Lei.

Derrotados por Uma Cidade Pequena (Josué 7:2-9)
A próxima cidade era Ai, perto de Betel. Os espias voltam confiantes: "Não suba todo o povo; subam uns dois ou três mil homens… porque são poucos os inimigos" (Josué 7:3). Desta vez não há conversa com Deus, nem arca à frente, nem instruções. Só um cálculo militar.
O resultado é uma derrota humilhante. Os três mil homens fogem, trinta e seis morrem, e "o coração do povo se derreteu e se tornou como água" (Josué 7:5). Pouco antes, era o coração dos reis de Canaã que desmaiava ao ouvir falar de Israel (Josué 5:1). Agora o medo mudou de lado.
Josué rasga as vestes, se prostra diante da arca até a tarde, e os anciãos jogam pó sobre a cabeça (Josué 7:6). A oração dele é sincera e parecida com as queixas do povo no deserto: "Tomara nos contentáramos com ficarmos dalém do Jordão" (Josué 7:7). Mas no fim aparece a preocupação certa: "que farás ao teu grande nome?" (Josué 7:9).
O Pecado Escondido na Tenda (Josué 7:10-26)
A resposta de Deus é direta: "Levanta-te! Por que estás prostrado assim sobre o rosto?" (Josué 7:10). Não era hora de lamentar, mas de agir. E Deus diz o que aconteceu:
A frase seguinte é dura: "já não serei convosco, se não eliminardes do vosso meio a coisa roubada" (Josué 7:12). A presença de Deus, que tinha aberto o Jordão e derrubado Jericó, estava em jogo por causa de um só homem.
No dia seguinte, a sorte é lançada diante de todo o povo: primeiro as tribos, depois as famílias, depois as casas, depois homem por homem (Josué 7:14). A cena é lenta de propósito. A cada passo, quem tinha escondido algo sabia que o cerco se fechava. A sorte cai sobre Judá, depois sobre os zeraítas, sobre Zabdi e, por fim, sobre Acã (Josué 7:16-18). Ele teve tempo de se apresentar, e não se apresentou.
Josué fala com ele com uma brandura surpreendente: "Filho meu, dá glória ao Senhor, Deus de Israel… e declara-me, agora, o que fizeste" (Josué 7:19). E Acã confessa:
Os verbos contam a história do pecado: vi, cobicei, tomei, escondi. É a mesma sequência do Éden, quando a mulher viu que a árvore era "agradável aos olhos" e "tomou-lhe do fruto" (Gênesis 3:6). E é o que proíbe o último dos Dez Mandamentos: "Não cobiçarás" (Êxodo 20:17).
O castigo é severo e difícil de ler, sobretudo porque o texto menciona os filhos e as filhas de Acã (Josué 7:24). A passagem não explica todos os detalhes, e os intérpretes discutem se a família participou do segredo, já que tudo estava enterrado no meio da tenda. O que o texto deixa claro é a gravidade do que aconteceu: Acã tomou para si o que tinha sido consagrado a Deus e pôs em risco o povo inteiro. Só depois disso "o Senhor apagou o furor da sua ira" (Josué 7:26).
A Emboscada que Tomou Ai (Josué 8:1-29)
Com o pecado tratado, Deus volta a falar como no início do livro, quando disse a Josué "não temas, nem te espantes" (Josué 1:9): "Não temas, não te atemorizes… olha que entreguei nas tuas mãos o rei de Ai" (Josué 8:1). Desta vez, quem faz o plano é Deus, e há uma diferença em relação a Jericó: "para vós outros saqueareis os seus despojos e o seu gado" (Josué 8:2). Aquilo que Acã roubou em segredo, Israel agora recebe como presente. Se tivesse esperado, ele teria tido o que desejava.
O plano usa a própria derrota anterior. Uma tropa fica escondida atrás da cidade, a oeste, entre Betel e Ai (Josué 8:9, 12). Josué se aproxima com o resto do povo e finge fugir, como da primeira vez. Os homens de Ai saem todos atrás dele e deixam "a cidade aberta" (Josué 8:17).
Então vem o sinal: "Estende para Ai a lança que tens na mão" (Josué 8:18). A emboscada entra na cidade e põe fogo nela. Quando os homens de Ai olham para trás e veem "a fumaça da cidade" subindo ao céu, já estão cercados (Josué 8:20-22). E Josué não abaixa a mão com a lança até o fim da batalha (Josué 8:26), lembrando a batalha contra Amaleque, quando "Moisés levantava a mão" e "Israel prevalecia" (Êxodo 17:11).
A Lei Lida entre Dois Montes (Josué 8:30-35)
Depois da vitória, o texto dá um salto surpreendente. Em vez de seguir conquistando, Josué leva o povo até o monte Ebal, no centro da terra, e ali edifica um altar de "pedras toscas, sobre o qual se não manejara instrumento de ferro" (Josué 8:31). Era exatamente o que Moisés tinha mandado: "No dia em que passares o Jordão… levantar-te-ás pedras grandes e as caiarás" e nelas escreverás "todas as palavras desta lei" (Deuteronômio 27:2-3).

O povo se divide: metade diante do monte Gerizim, metade diante do monte Ebal, com a arca no meio (Josué 8:33). E Josué lê tudo:
A lista de quem ouve é importante. Mulheres, crianças e estrangeiros, como Raabe e sua família, estão incluídos. Ninguém fica de fora da Palavra. Depois de um capítulo sobre o que acontece quando a aliança é quebrada, Israel renova essa aliança diante de todos. A bênção e a maldição (Josué 8:34) já não eram teoria: o povo tinha acabado de experimentar as duas.
- Josué 7:1-9: a derrota em Ai e a oração de Josué.
- Josué 7:10-26: a sorte lançada, a confissão de Acã e o vale de Acor.
- Josué 8:1-29: a emboscada e a tomada de Ai.
- Josué 8:30-35: o altar no monte Ebal e a leitura da Lei entre Gerizim e Ebal.
- Textos relacionados: Gênesis 3:6; Êxodo 17:11; Êxodo 20:17; Deuteronômio 21:23; Deuteronômio 27:2-3; 1 Crônicas 2:7; Provérbios 28:13; Oséias 2:15; Atos 5:2; Gálatas 3:13.