Série Gênesis a Apocalipse Estudo 104 de 104 publicados Ver o mapa da série →
I Samuel 4-7: A Arca Capturada e o Retorno a Israel
Israel leva a arca à guerra como um amuleto e a perde. Na terra inimiga, Deus defende a própria glória. Anos depois, o povo volta ao Senhor: até aqui nos ajudou.
Deus Não É um Amuleto
No estudo anterior, Samuel foi reconhecido como profeta "desde Dã até Berseba" (1 Samuel 3:20), e um homem de Deus anunciou que Hofni e Fineias, os filhos corruptos de Eli, morreriam no mesmo dia (1 Samuel 2:34). Os capítulos 4 a 7 mostram o cumprimento dessa palavra, mas também algo maior.
A personagem principal destes capítulos não é Samuel, que quase desaparece da narrativa. É a arca da Aliança, o objeto mais sagrado de Israel. Ela é levada à guerra, capturada, passa por três cidades filisteias e volta. No caminho, o texto pergunta: Israel achava que podia usar Deus? E os filisteus achavam que podiam vencê-lo?

A Arca Vai à Guerra (1 Samuel 4:1-11)
Israel enfrenta os filisteus perto de Afeca e perde cerca de quatro mil homens (1 Samuel 4:1-2). Os anciãos fazem a pergunta certa, "Por que nos feriu o Senhor, hoje, diante dos filisteus?", mas dão a resposta errada. Em vez de buscar a Deus, decidem buscar um objeto: "Tragamos de Siló a arca da Aliança do Senhor, para que venha no meio de nós e nos livre" (1 Samuel 4:3).
A arca chega acompanhada justamente de Hofni e Fineias (1 Samuel 4:4). O povo grita tão alto que a terra ressoa, e os filisteus se assustam: "Os deuses vieram ao arraial" (1 Samuel 4:7). Mas o medo os faz lutar com mais força, e a derrota de Israel é ainda maior: trinta mil mortos. E o pior: "Foi tomada a arca de Deus, e mortos os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias" (1 Samuel 4:10-11).
Foi-se a Glória (1 Samuel 4:12-22)
Em Siló, Eli espera notícias sentado à beira do caminho, "porque o seu coração estava tremendo pela arca de Deus" (1 Samuel 4:13). Ele tem noventa e oito anos e está cego. Um mensageiro de Benjamim chega com as roupas rasgadas e terra na cabeça e conta tudo: a fuga, a morte dos filhos, a arca tomada (1 Samuel 4:17). É a menção à arca que derruba Eli. Ele cai da cadeira, quebra o pescoço e morre (1 Samuel 4:18). O velho sacerdote tinha sido fraco com os filhos, mas o coração dele ainda se importava com a presença de Deus.
A notícia provoca o parto da nora de Eli, a mulher de Fineias. Morrendo, ela dá ao filho um nome que resume a tragédia:
Séculos depois, o salmista e o profeta Jeremias ainda lembrariam esse dia. Deus "abandonou o tabernáculo de Siló" e entregou "a sua glória, à mão do adversário" (Salmos 78:60-61). Jeremias usou Siló como alerta para os que achavam que o templo de Jerusalém os protegeria automaticamente: "ide agora ao meu lugar que estava em Siló… e vede o que lhe fiz" (Jeremias 7:12).
A Arca na Terra dos Filisteus (1 Samuel 5:1-6:9)
Os filisteus levam a arca para Asdode e a colocam no templo de Dagom, ao lado do seu deus (1 Samuel 5:2). No mundo antigo, isso era um gesto de vitória: o deus vencedor recebia o deus vencido como troféu. Mas na manhã seguinte, Dagom está caído "com o rosto em terra, diante da arca do Senhor" (1 Samuel 5:3), como alguém que se curva diante de um rei. Eles o colocam de pé de novo. No outro dia, Dagom está outra vez no chão, agora com a cabeça e as mãos cortadas sobre a soleira (1 Samuel 5:4).
Ninguém em Israel estava lutando. Deus mesmo defendia o seu nome. "A mão do Senhor castigou duramente os de Asdode" com tumores (1 Samuel 5:6). Os filisteus mandam a arca para Gate, e a praga vai junto; mandam para Ecrom, e os moradores gritam: "Transportaram até nós a arca do Deus de Israel, para nos matarem" (1 Samuel 5:10). A arca que Israel não conseguiu usar como arma se torna um peso insuportável para quem a capturou.
Depois de sete meses, os filisteus consultam os seus sacerdotes. Eles lembram o que aconteceu no Egito: "Por que, pois, endureceríeis o coração, como os egípcios e Faraó endureceram o coração?" (1 Samuel 6:6). Decidem devolver a arca com uma oferta pela culpa: cinco tumores de ouro e cinco ratos de ouro, um para cada cidade principal (1 Samuel 6:4). E fazem um teste: põem a arca num carro novo puxado por duas vacas que acabaram de ter crias. Se as vacas deixassem os bezerros e fossem direto para Israel, seria sinal de que foi o Deus de Israel quem os feriu (1 Samuel 6:7-9).
De Volta a Israel (1 Samuel 6:10-7:1)
As vacas fazem o que nenhuma vaca faria por conta própria. Deixam os bezerros e seguem "diretamente para Bete-Semes e, andando e berrando, seguiam sempre por esse mesmo caminho, sem se desviarem nem para a direita nem para a esquerda" (1 Samuel 6:12). Os ceifeiros de Bete-Semes estão colhendo trigo, levantam os olhos e se alegram ao ver a arca (1 Samuel 6:13). Oferecem as vacas em holocausto sobre uma grande pedra (1 Samuel 6:14-15).
Mas a alegria é seguida de tragédia. Homens de Bete-Semes olham dentro da arca, e o Senhor os fere (1 Samuel 6:19). A Lei já tinha avisado que nem os levitas que carregavam os objetos sagrados podiam vê-los, "para que não morram" (Números 4:20). A pergunta deles mostra que entenderam algo importante: "Quem poderia estar perante o Senhor, este Deus santo?" (1 Samuel 6:20). A arca é levada para Quiriate-Jearim, à casa de Abinadabe, e fica ali (1 Samuel 7:1). Só sairá nos dias de Davi (2 Samuel 6:2-3).
"Até Aqui nos Ajudou o Senhor" (1 Samuel 7:2-17)
Passam-se vinte anos, "e toda a casa de Israel dirigia lamentações ao Senhor" (1 Samuel 7:2). Então Samuel reaparece e diz ao povo o que faltou na batalha de Afeca: um coração voltado para Deus.
Desta vez o povo obedece: "tiraram dentre si os baalins e os astarotes e serviram só ao Senhor" (1 Samuel 7:4). Reúnem-se em Mispa, derramam água diante do Senhor, jejuam e confessam: "Pecamos contra o Senhor" (1 Samuel 7:6). Quando os filisteus atacam, o povo não pede a arca. Pede oração: "Não cesses de clamar ao Senhor, nosso Deus, por nós" (1 Samuel 7:8). Samuel oferece um cordeiro e clama, e o Senhor responde com um trovão que derrota os filisteus (1 Samuel 7:9-10).

O nome não foi escolhido por acaso. Ebenézer, "pedra de ajuda", era o lugar onde Israel tinha acampado antes da derrota em que perdeu a arca (1 Samuel 4:1). Agora o nome ganha outro sentido: a ajuda não estava no objeto, mas no Senhor. Os filisteus são contidos durante a vida de Samuel, as cidades são devolvidas, e Samuel julga Israel percorrendo Betel, Gilgal e Mispa, e voltando para casa em Ramá (1 Samuel 7:13-17).
- 1 Samuel 4:1-11: a derrota em Afeca, a arca levada à guerra e capturada.
- 1 Samuel 4:12-22: a morte de Eli e o nascimento de Icabô.
- 1 Samuel 5:1-12: Dagom caído diante da arca e as pragas em Asdode, Gate e Ecrom.
- 1 Samuel 6:1-9: o conselho dos sacerdotes filisteus e a oferta pela culpa.
- 1 Samuel 6:10-7:1: a volta da arca a Bete-Semes e a Quiriate-Jearim.
- 1 Samuel 7:2-17: o arrependimento em Mispa, a vitória e a pedra de Ebenézer.
- Textos relacionados: Êxodo 25:22; Números 4:20; 2 Samuel 6:2-3; Salmos 78:60-61; Isaías 46:1-2; Jeremias 7:12.