Série Gênesis a Apocalipse Estudo 112 de 114 publicados Ver o mapa da série →
II Samuel 1-4: Davi, Rei em Hebrom
Davi chora por Saul e Jônatas, é ungido rei de Judá em Hebrom e espera enquanto a casa de Saul se desfaz, sem aceitar o trono por meio de traições e assassinatos.
Um Trono que Não se Toma à Força
O primeiro livro de Samuel terminou com Saul e três de seus filhos mortos no monte Gilboa e com os homens de Jabes-Gileade sepultando os corpos (1 Samuel 31:6, 13). Davi, enquanto isso, estava em Ziclague, recém-voltado da vitória sobre os amalequitas. O caminho para o trono parecia finalmente aberto.
Mas os capítulos 1 a 4 de 2 Samuel mostram que esse caminho ainda passaria por anos de guerra civil, traições e assassinatos. E mostram, sobretudo, como Davi reage a cada morte que o aproxima do poder. Muita gente achou que estava ajudando o novo rei ao matar os inimigos dele. Davi pensava diferente. Como alguém recebe um reino que Deus prometeu sem sujar as mãos para apressá-lo?

O Mensageiro de Gilboa (2 Samuel 1:1-16)
Três dias depois de voltar a Ziclague, Davi recebe um homem "com as vestes rotas e terra sobre a cabeça", sinais de luto e de má notícia (2 Samuel 1:2). Ele conta que o exército fugiu e que Saul e Jônatas morreram (2 Samuel 1:4). Davi quer saber como ele sabe disso, e o homem se diz amalequita e conta que o próprio Saul, ferido, lhe pediu para ser morto:
Se o amalequita esperava um prêmio, se enganou. Davi rasga as vestes, e todos os seus homens fazem o mesmo. Eles choram e jejuam até a tarde por Saul, por Jônatas e "pelo povo do Senhor" (2 Samuel 1:11-12). Depois Davi faz a pergunta que vinha repetindo havia anos: "Como não temeste estender a mão para matares o ungido do Senhor?" (2 Samuel 1:14). O homem é executado pela própria confissão (2 Samuel 1:16). A morte do rei não é motivo de festa nem de recompensa.
O Hino ao Arco (2 Samuel 1:17-27)
Davi então compõe um lamento por Saul e Jônatas e manda que seja ensinado aos filhos de Judá (2 Samuel 1:17-18). É um dos poemas mais bonitos do Antigo Testamento, e o refrão se repete três vezes:
O lamento não tem uma palavra contra Saul. Davi não lembra as lanças atiradas nem os anos de perseguição. Pede que a notícia não chegue a Gate e a Asquelom, para que os filisteus não se alegrem (2 Samuel 1:20). Lembra que Saul vestia as filhas de Israel "de rica escarlata" (2 Samuel 1:24). E diz que pai e filho, "tanto na vida como na morte não se separaram" (2 Samuel 1:23).
O ponto mais pessoal vem no fim: "Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo!" (2 Samuel 1:26). Jônatas tinha sido o amigo que, contra os interesses da própria família, disse a Davi: "tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo o segundo" (1 Samuel 23:17). Ele não viveu para ver isso.
Dois Reis e uma Guerra (2 Samuel 2)
Davi não corre para pegar o trono. Primeiro consulta o Senhor: "Subirei a alguma das cidades de Judá?" A resposta é "Sobe", e o lugar é Hebrom (2 Samuel 2:1). Ali os homens de Judá ungem Davi rei sobre a casa de Judá (2 Samuel 2:4). É a segunda unção de Davi: a primeira, feita por Samuel em segredo, foi no meio dos irmãos em Belém (1 Samuel 16:13).
O primeiro gesto do novo rei é de gratidão: ele manda abençoar os homens de Jabes-Gileade "por esta humanidade para com vosso senhor, para com Saul" (2 Samuel 2:5). Mas o norte não o aceita. Abner, comandante do exército de Saul, leva Isbosete, filho de Saul, para Maanaim, do outro lado do Jordão, e o faz rei sobre o resto de Israel (2 Samuel 2:8-9). O povo de Deus está dividido.
Os dois exércitos se encontram no açude de Gibeão. Um combate de doze contra doze termina com todos mortos, e a batalha se espalha (2 Samuel 2:14-17). Asael, irmão de Joabe, "ligeiro de pés, como gazela selvagem", persegue Abner. Abner pede duas vezes que ele desista e, por fim, o mata (2 Samuel 2:18-23). No fim do dia, é Abner quem grita a pergunta que todo conflito entre irmãos deveria ouvir:
Joabe toca a trombeta e a perseguição para (2 Samuel 2:28). Mas a morte de Asael fica pendente entre os dois homens.
Abner Muda de Lado e Cai na Porta (2 Samuel 3)
"Durou muito tempo a guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi; Davi se ia fortalecendo, porém os da casa de Saul se iam enfraquecendo" (2 Samuel 3:1). Em Hebrom nascem seis filhos de Davi, de seis mulheres diferentes, entre eles Amnom, Absalão e Adonias (2 Samuel 3:2-5). O texto apenas registra, mas esses nomes vão voltar mais tarde em histórias de muita dor na casa de Davi.
No norte, quem manda de fato é Abner. Quando Isbosete o acusa de tomar Rispa, a concubina de Saul, Abner se ofende e resolve passar o reino para Davi (2 Samuel 3:7-10). Davi aceita a aliança com uma condição: receber de volta Mical, filha de Saul, sua primeira mulher. A cena é triste: Paltiel, o marido dela, vai "caminhando e chorando após ela" até ser mandado embora (2 Samuel 3:16). Abner convence os anciãos de Israel e vai a Hebrom, onde Davi o recebe com um banquete e o despede "em paz" (2 Samuel 3:20-21).
Joabe volta de uma investida, descobre tudo e acusa o rei de ingenuidade (2 Samuel 3:24-25). Sem que Davi saiba, manda chamar Abner de volta, o leva para um canto da porta da cidade, "para lhe falar em segredo", e o mata "em vingança do sangue de seu irmão Asael" (2 Samuel 3:26-27).
Davi faz questão de mostrar que não teve parte nisso. Amaldiçoa a casa de Joabe, manda o povo vestir pano de saco, segue o féretro e chora junto à sepultura (2 Samuel 3:28-32). Jejua o dia inteiro, e o povo entende: "não procedera do rei que matassem a Abner" (2 Samuel 3:37). Mas a confissão do rei também mostra o seu limite:

Davi não pune Joabe. Só no fim da vida, já velho, pede a Salomão que faça justiça pelo sangue de Abner e de Amasa (1 Reis 2:5-6).
O Fim da Casa de Saul (2 Samuel 4)
Sem Abner, Isbosete perde as forças, "e todo o Israel pasmou" (2 Samuel 4:1). O texto apresenta de passagem um personagem que vai voltar: Mefibosete, filho de Jônatas, que ficou manco aos cinco anos quando a ama fugiu com ele ao saber da morte de Saul (2 Samuel 4:4). Mais tarde Davi vai procurá-lo "por amor de Jônatas" (2 Samuel 9:7).
Dois capitães de Isbosete, Recabe e Baaná, entram na casa dele ao meio-dia, enquanto ele dorme, o matam e levam a cabeça a Davi em Hebrom, certos de que serão recompensados: "assim, o Senhor vingou, hoje, ao rei, meu senhor" (2 Samuel 4:5-8). Repetem o erro do amalequita. Davi lembra o que fez com aquele mensageiro e conclui que, com mais razão, deve punir quem matou "a um homem justo em sua casa, no seu leito" (2 Samuel 4:10-11). Os assassinos são executados, e a cabeça de Isbosete é sepultada com honra no túmulo de Abner (2 Samuel 4:12).
- Saul e Jônatas: Davi rasga as vestes, jejua e compõe um lamento (2 Samuel 1:11-12, 17).
- O amalequita que diz ter matado Saul: é punido por levantar a mão contra o ungido (2 Samuel 1:14-16).
- Abner: Davi segue o féretro, chora e jejua, e se declara inocente do sangue (2 Samuel 3:28-35).
- Isbosete: os assassinos são punidos e a vítima é sepultada com honra (2 Samuel 4:9-12).
- 2 Samuel 1:1-16: o amalequita traz a notícia da morte de Saul e é punido.
- 2 Samuel 1:17-27: o lamento de Davi por Saul e Jônatas, o Hino ao Arco.
- 2 Samuel 2:1-11: Davi ungido rei de Judá em Hebrom; Isbosete feito rei de Israel.
- 2 Samuel 2:12-32: a batalha de Gibeão e a morte de Asael.
- 2 Samuel 3:1-21: os filhos de Davi em Hebrom e a aliança de Abner com Davi.
- 2 Samuel 3:22-39: Joabe mata Abner, e Davi o pranteia.
- 2 Samuel 4: a morte de Isbosete e o castigo dos assassinos.
- Textos relacionados: Gênesis 13:18; 23:19; Josué 10:13; 1 Samuel 16:13; 23:17; 31:4; 2 Samuel 9:7; 1 Reis 2:5-6.