Série Gênesis a Apocalipse Estudo 113 de 114 publicados Ver o mapa da série →
II Samuel 5-7: Jerusalém, a Arca e a Aliança com Davi
Davi conquista Jerusalém e leva a arca dançando. Quando quer construir uma casa para Deus, é Deus quem promete construir uma casa para ele.
Uma Cidade, uma Arca e uma Promessa
No estudo anterior, Davi reinava só sobre Judá, em Hebrom, enquanto a casa de Saul se desfazia: Abner foi morto por Joabe, e Isbosete, por dois dos seus capitães (2 Samuel 3:27; 4:7). Davi chorou essas mortes e puniu os assassinos. Agora não há mais ninguém da casa de Saul disputando o trono.
Os capítulos 5 a 7 são o ponto alto do reinado de Davi. Em pouco tempo ele é ungido rei de todo o Israel, conquista Jerusalém, vence os filisteus e leva a arca da aliança para a nova capital. Então decide construir um templo para Deus. A resposta que recebe muda tudo: em vez de Davi construir uma casa para o Senhor, é o Senhor quem promete construir uma casa para Davi. Essa promessa atravessa o resto da Bíblia.

Rei de Todo o Israel e Senhor de Sião (2 Samuel 5:1-16)
As tribos do norte vão a Hebrom e reconhecem três coisas: Davi é do mesmo povo, já liderava Israel nas guerras no tempo de Saul e foi escolhido por Deus: "Tu apascentarás o meu povo de Israel e serás chefe sobre Israel" (2 Samuel 5:1-2). Davi faz aliança com os anciãos "perante o Senhor", e eles o ungem rei (2 Samuel 5:3). É a terceira unção de Davi. Ele tinha trinta anos quando começou a reinar e reinou quarenta: sete e meio em Hebrom e trinta e três em Jerusalém (2 Samuel 5:4-5).
O primeiro passo do rei de todo o Israel é conquistar Jerusalém. A cidade estava nas mãos dos jebuseus desde a conquista; nem a tribo de Benjamim tinha conseguido expulsá-los (Juízes 1:21). Eles zombam de Davi, dizendo que até cegos e coxos bastariam para defendê-la (2 Samuel 5:6). Mas "Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a Cidade de Davi" (2 Samuel 5:7).
Davi se instala na fortaleza e a amplia. O texto explica o sucesso: "Ia Davi crescendo em poder cada vez mais, porque o Senhor, Deus dos Exércitos, era com ele" (2 Samuel 5:10). Hirão, rei de Tiro, manda cedros e artesãos para construir o palácio, e Davi entende o sentido de tudo isso: o Senhor tinha exaltado o seu reino "por amor do seu povo" (2 Samuel 5:11-12). O reino não era um prêmio pessoal. O texto também registra mais mulheres e mais filhos, entre eles Salomão (2 Samuel 5:13-14).
Duas Vitórias e uma Estratégia que Vem de Deus (2 Samuel 5:17-25)
Os filisteus entendem o que significa um Davi rei de todo o Israel e sobem para atacá-lo no vale dos Refains (2 Samuel 5:17-18). Davi faz o que fazia desde Queila e Ziclague: consulta o Senhor. Recebe a ordem de subir e vence em Baal-Perazim, dizendo: "Rompeu o Senhor as fileiras inimigas diante de mim, como quem rompe águas" (2 Samuel 5:20). Os filisteus fogem e deixam para trás os seus ídolos (2 Samuel 5:21).
Na segunda vez, a resposta de Deus é diferente: não atacar de frente, mas rodear e esperar um sinal.
Davi obedece e vence de Geba até Gezer (2 Samuel 5:25). A lição é sutil: a vitória anterior não virou receita. Cada batalha pedia uma nova consulta.
A Arca, Uzá e a Alegria de Davi (2 Samuel 6)
Desde que os filisteus a devolveram, a arca da aliança estava esquecida havia anos em Quiriate-Jearim, na casa de Abinadabe (1 Samuel 7:1-2). Davi reúne trinta mil homens para trazê-la a Jerusalém, partindo de "Baalá de Judá", outro nome da mesma cidade (2 Samuel 6:1-2; Josué 15:9). A arca vai num carro novo, com música e festa (2 Samuel 6:3-5).
Na eira de Nacom, os bois tropeçam, Uzá estende a mão para segurar a arca, e Deus o fere ali mesmo (2 Samuel 6:6-7). A festa termina em susto. Davi fica irritado e com medo, e pergunta: "Como virá a mim a arca do Senhor?" (2 Samuel 6:9). Ele desiste e a deixa na casa de Obede-Edom, onde ela traz bênção durante três meses (2 Samuel 6:10-11).
Quando Davi sabe que a arca está abençoando a casa de Obede-Edom, vai buscá-la de novo, agora com alegria e cuidado. A cada seis passos dos que levam a arca, ele oferece sacrifícios (2 Samuel 6:12-13). E então vem a cena mais lembrada do capítulo:
A arca entra na Cidade de Davi e é colocada numa tenda. Davi oferece holocaustos, abençoa o povo e distribui pão, carne e passas a todos, homens e mulheres (2 Samuel 6:17-19). Mas uma pessoa não participa da festa. Mical, filha de Saul, olha pela janela e despreza o marido (2 Samuel 6:16). Quando ele volta, ela o acusa de se expor como "um vadio qualquer" diante das servas (2 Samuel 6:20). Davi responde que dançou "perante o Senhor" e que está disposto a se humilhar ainda mais (2 Samuel 6:21-22). O capítulo termina com uma frase seca: Mical "não teve filhos, até ao dia da sua morte" (2 Samuel 6:23).
"O Senhor Te Fará Casa" (2 Samuel 7:1-17)
Com o reino em paz, Davi olha em volta e se incomoda: "eu moro em casa de cedros, e a arca de Deus se acha numa tenda" (2 Samuel 7:2). O profeta Natã aprova a ideia de construir um templo. Mas naquela mesma noite Deus fala com Natã, e a mensagem vira a situação ao contrário (2 Samuel 7:3-5).
Deus lembra que nunca pediu uma casa de cedro e que andou com o povo numa tenda desde o Egito (2 Samuel 7:6-7). Lembra também de onde tirou Davi: "Tomei-te da malhada, de detrás das ovelhas, para que fosses príncipe sobre o meu povo" (2 Samuel 7:8). Era o menino que estava "apascentando as ovelhas" quando Samuel foi a Belém (1 Samuel 16:11). E então vem a promessa:
- Um nome grande e descanso dos inimigos (2 Samuel 7:9, 11).
- Um lugar seguro para Israel, onde o povo seja plantado e não mais perturbado (2 Samuel 7:10).
- Uma "casa", isto é, uma dinastia: o Senhor "te fará casa" (2 Samuel 7:11).
- Um filho que edificará a casa para o nome do Senhor (2 Samuel 7:12-13).
- Uma relação de pai e filho, com disciplina, mas sem retirar a misericórdia, como foi com Saul (2 Samuel 7:14-15).
- Um trono para sempre (2 Samuel 7:16).
A palavra "casa" é usada de dois jeitos. Davi queria construir uma casa, um templo, para Deus. Deus responde que construirá uma casa, uma família de reis, para Davi. O templo ficaria para o filho, Salomão, como ele mesmo lembraria depois (1 Reis 8:18-19).

"Quem Sou Eu, Senhor Deus?" (2 Samuel 7:18-29)
Davi não responde com planos, mas com oração. Entra na tenda onde está a arca, senta-se diante do Senhor e pergunta: "Quem sou eu, Senhor Deus, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui?" (2 Samuel 7:18). A oração inteira é de espanto e gratidão. Davi reconhece que tudo veio "por causa da tua palavra e segundo o teu coração" (2 Samuel 7:21), louva a Deus como único (2 Samuel 7:22) e lembra o que ele fez por Israel desde o Egito (2 Samuel 7:23-24).
No fim, Davi pede apenas que Deus faça o que já disse: "confirma-a para sempre e faze como falaste" (2 Samuel 7:25). E conclui:
- 2 Samuel 5:1-5: Davi ungido rei de todo o Israel em Hebrom.
- 2 Samuel 5:6-16: a conquista de Sião, o palácio de cedro e os filhos nascidos em Jerusalém.
- 2 Samuel 5:17-25: duas vitórias sobre os filisteus no vale dos Refains.
- 2 Samuel 6:1-11: a arca num carro novo, a morte de Uzá e a casa de Obede-Edom.
- 2 Samuel 6:12-23: a arca entra em Jerusalém, Davi dança e Mical o despreza.
- 2 Samuel 7:1-17: a promessa de Deus a Davi por meio de Natã.
- 2 Samuel 7:18-29: a oração de gratidão de Davi.
- Textos relacionados: Gênesis 14:18; Números 4:15; Josué 15:9; Juízes 1:21; 1 Samuel 7:1-2; 1 Reis 8:18-19; 1 Crônicas 15:13-15; Salmos 89:4; Lucas 1:32-33; Hebreus 1:5.