Versículos de Marcos 7 da Bíblia. Almeida Antiga (1848)
1E AJUNTARÃO-se a elle os Phariseos, e alguns dos Escribas, que tinhão vindo de Jerusalem.
2E vendo que alguns de seus discipulos comião pão com mãos impuras, isto he, por lavar, reprehendião-os.
3Porque os Phariseos, e todos os Judeos, retendo a tradição dos antigos, se muitas vezes não lavão as mãos, não comem.
4E tornando da praça, se não se lavarem, não comem; e outras muitas cousas ha, que tomarão para guardar, como o lavar dos copos, e dos jarros, e dos vasos de metal, e das camas.
5Depois lhe perguntarão os Phariseos e os Escribas: Porque não andão teus discipulos conforme á tradição dos antigos? mas comem pão com as mãos por lavar?
6Porém respondendo elle, disse-lhes: Bem prophetizou Isaias de vósoutros, hypocritas; como está escrito: este povo me honra com os beiços, mas seu coração está longe de mim.
7Porém em vão me honrão, ensinando por doutrinas, mandamentos de homens.
8Porque deixando o mandamento de Deos, retendes a tradição dos homens: como o lavar dos jarros, e dos copos; e fazeis outras muitas cousas semelhantes a estas.
9E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deos, para guardardes vossa tradição.
10Porque Moyses disse: Honra a teu pai, e a tua mãi. E quem maldisser ao pai, ou á mãi, morrerá de morte.
11Porém vósoutros dizeis: Se o homem disser ao pai ou á mãi: Corban (isto he, offerta) tudo o que de mim aproveitar-te podér, desobrigado fica.
12E não lhe deixais mais nada fazer por seu pai, ou por sua mãi.
13Invalidando assim a palavra de Deos por vossa tradição, que vós ordenastes; e muitas cousas fazeis semelhantes a estas.
14E chamando a si toda a multidão, disse-lhes: Ouvi-me todos, e entendei:
15Não ha fora do homem nada, que nelle entre, que o possa contaminar; mas o que delle sahe, isso he o que ao homem contamina.
16Se alguem tem ouvidos para ouvir, ouça.
17E entrando da multidão em casa, perguntarão-lhe seus discipulos ácerca da parabola.
18E elle lhes disse: Assim tambem vósoutros estais sem entendimento? não entendeis, que tudo o que de fora entra no homem, não o pode contaminar?
19Porque não entra em seu coração, senão no ventre, e sahe á privada, purgando todas as comidas.
20E dizia: O que do homem sahe, isso contamina ao homem.
21Porque de dentro do coração dos homens sahem os máos pensamentos, os adulterios, as fornicaçoens, os homicidios,
22Os furtos, as avarezas, as maldades, o engano, a dissolução, o máo olho, a blasfemia, a soberba, a louquice.
23Todos estes males de dentro procedem, e contaminão ao homem.
24E levantando-se dali, foi aos termos de Tyro e de Sidon; e entrando em huma casa, não quiz que ninguem o soubesse, mas não se pôde esconder.
25Porque huma mulher, cuja filha tinha hum espirito immundo, ouvindo delle, veio e lançou-se a seus pés.
26E era esta mulher Grega, Syrophenissa de nação; e rogava-lhe, que de sua filha lançasse fora ao demonio.
27Mas Jesus lhe disse: Deixa primeiro fartar aos filhos; porque não he bem tomar o pão dos filhos, e lançá-lo aos cachorrinhos.
28Porém ella respondeo, e disse-lhe: Sim Senhor: mas tambem os cachorrinhos comem debaixo da mesa, das migalhas dos filhos.
29Então lhe disse elle: Por esta palavra vai, já o demonio sahio de tua filha.
30E vindo ella a sua casa, achou que já o demonio era sahido, e a filha deitada sobre a cama.
31E tornando elle a sahir dos termos de Tyro e de Sidon, veio ao mar de Galilea, por meio dos termos de Decapolis.
32E trouxerão-lhe hum surdo, que difficilmente falava, e rogarão-lhe que puzesse a mão sobre elle.
33E tomando-o da multidão á parte, metteo-lhe seus dedos nos ouvidos, e cuspindo tocou-lhe a lingoa.
34E levantando os olhos ao ceo suspirou, e disse: Ephphata, isto he, abre-te.
35E logo seus ouvidos se abrirão, e a atadura da lingoa se lhe soltou, e falava bem.
36E mandou-lhes que a ninguem o dissessem; mas quanto mais lho mandava, tanto mais o divulgavão.
37E sobre maneira muito se espantavão, dizendo: tudo fez bem: e aos surdos faz ouvir, e aos mudos falar.