Versículos de Marcos 6 da Bíblia. Almeida Antiga (1848)
1E PARTIO dali, e veio á sua patria, e o seguirão seus discipulos.
2E chegado o Sabbado, começou a ensinar na Synagoga; e muitos ouvindo-o se espantavão dizendo: donde lhe vem a este estas cousas? e que sabedoria he esta que lhe he dada? e taes maravilhas que por suas mãos se fazem?
3Não he este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Jacobo, e de Joses, e de Judas, e de Simão? e não estão aqui comnosco suas irmaãs? e escandalizavão-se nelle.
4E Jesus lhes dizia: não ha Propheta sem honra, senão em sua patria, e entre seus parentes, e em sua casa.
5E não podia ali fazer nenhuma maravilha; somente, pondo as mãos sobre huns poucos de enfermos, os curou.
6E estava maravilhado da incredulidade delles. E rodeava as aldeas do redor, ensinando.
7E chamou a si aos doze, e começou a envia-los de dous em dous: e deo-lhes poder sobre os espiritos immundos.
8E mandou-lhes, que não tomassem nada para o caminho, senão somente hum bordão; nem alforge, nem pão, nem dinheiro na cinta.
9Mas que calçassem alparcas; e não se vestissem de duas tunicas.
10E dizia-lhes: aonde quer que entrardes em casa alguma, ficai ali até que dali saiais.
11E todos aquelles que vos não receberem, nem vos ouvirem; sahindo dali, sacudi o pó que estiver debaixo de vossos pés, em testemunho contra elles. Em verdade vos digo, que mais toleravel será aos de Sodoma ou Gomorrha no dia do juizo, do que áquella cidade.
12E sahindo elles, prégavão que se arrependessem.
13E lançavão fora a muitos demonios, e ungião com azeite a muitos enfermos, e os curavão.
14E ouvio-o el Rei Herodes (porque ja seu nome era notório) e disse: João, o que baptizava, he resuscitado dos mortos; e portanto estas maravilhas obrão nelle.
15Outros dizião: he Elias; e outros dizião: he Propheta, ou como algum dos Prophetas.
16Porém ouvindo Herodes isto, disse: este he João, ao qual eu degollei: he resuscitado dos mortos.
17Porque o mesmo Herodes enviára, e prendéra a João, e o tinha liado na prisão, por causa de Herodias, mulher de Philippe seu irmão, por quanto se casára com ella.
18Porque João dizia a Herodes: não te he licito ter a mulher de teu irmão.
19E Herodias o espiava, e o queria matar, e não podia.
20Porque Herodes temia a João, sabendo que era varão justo e santo, e o estimava; e ouvindo-o, fazia muitas cousas, e o ouvia de boa mente.
21E vindo hum dia opportuno, em que Herodes, no dia de seu nascimento, dava huma cea a seus Grandes, e Tribunos, e aos Principaes de Galilea:
22E entrando a filha da mesma Herodias, e dançando, e agradando a Herodes, e aos que juntamente á mesa estavão; disse el-Rei á menina: pede-me quanto quizeres, e eu to darei.
23E jurou-lhe: tudo o que me pedires te darei, até a metade de meu Reino.
24E sahindo ella, disse a sua mãi: que pedirei? e ella disse: a cabeça e João Baptista.
25E entrando ella logo apresuradamente a el-Rei pedio, dizendo: quero que logo me dés em hum prato a cabeça de João Baptista.
26E entristeceo-se el-Rei muito; todavia por causa do juramento, e dos que juntamente á mesa estavão, não lha quiz negar.
27E logo el-Rei enviando o executor, mandou trazer ali sua cabeça. E indo elle degollou-o na prisão;
28E trouxe sua cabeça em hum prato, e a deo á menina; e a menina a deo a sua mãi.
29E ouvindo-o seus discipulos, vierão e tomarão seu corpo morto, e o puzerão em hum sepulcro.
30E os Apostolos se tornarão a ajuntar a Jesus, e denunciárão-lhe tudo, assim o que tinhão feito, como o que tinhão ensinado.
31E elle lhes disse: vinde vósoutros aqui á parte a hum lugar deserto, e repousai hum pouco: porque havia muitos que ião e vinhão, e não tinhão lugar de comer.
32E forão em hum barco, a hum lugar deserto á parte.
33E a multidão os vio ir, e muitos o conhecerão; e concorrerão lá a pé de todas as cidades, e vierão antes que elles, e chegavão-se a elle.
34E sahindo Jesus, vio huma grande multidão, e moveo-se a intima misericordia delles; porque erão como ovelhas que não tem pastor, e começou-lhes a ensinar muitas cousas.
35E como já o dia fosse mui entrado, vierão seus discipulos a elle, e disserão: O lugar he deserto, e o dia he ja mui entrado:
36Despede-os, para que vão aos lugares e aldeas de redor, e comprem para si pão; porque não tem que comer.
37Porém respondendo elle, disse-lhes: dai-lhes vósoutros de comer. E elles lhe disserão: iremos pois, e compraremos duzentos dinheiros de pão, e lhes daremos de comer?
38E elle lhes disse: Quantos paens tendes? ide e vede-o. E elles sabendo-o, disserão: Cinco, e dous peixes.
39E mandou-lhes, que fizessem assentar a todos por ranchos sobre a herva verde.
40E assentarão-se repartidos de cento em cento, e de cincoenta em cincoenta.
41E tomando elle os cinco paens e os dous peixes, levantou os olhos ao ceo, benzeo, e partio os paens, e os deo a seus discipulos, para que lhos pozessem diante: E os dous peixes repartio a todos.
42E comérão todos, e fartárão-se.
43E levantárão dos pedaços doze cestos cheios, e dos peixes tambem.
44E erão os que comérão os paens, quasi cinco mil homens.
45E logo constrangeo a seus discipulos a subir no barco, e ir diante á outra banda, em fronte de Bethsaida, entre tanto que elle despedia a multidão.
46E havendo-os despedido, foi ao monte a orar.
47E vinda a tarde, estava o barco no meio do mar, e elle só em terra.
48E vio que se fatigavão muito remando, (porque o vento lhes era contrario): e perto da quarta vela da noite, veio a elles andando sobre o mar, e queria passar por elles de largo
49E vendo-o elles andar sobre o mar, cuidarão que era fantasma, e derão grandes gritos.
50Porque todos o vião, e turbarão-se: e logo falou com elles, e disse-lhes: Tende bom animo, sou eu, não temais.
51E subio a elles no barco, e o vento quietou: e grandemente se espantavão entre si, e se maravilhavão.
52Porque ainda não tinhão entendido o milagre dos paens: porque seu coração estava endurecido.
53E quando já forão da outra banda, vierão á terra de Gennezareth, e tomarão ali porto.
54E sahindo elles do barco, logo o conhecerão.
55E correndo toda a terra do redor, começarão a trazer os que molestos se achavão, em camas, aonde quer que ouvião que estava.
56E aonde quer que entrava, em lugares, ou cidades, ou aldeas, punhão nas praças aos enfermos, e rogavão-lhe que somente tocassem a borda de seu vestido; e todos os que o tocavão, saravão.