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I Samuel 8-12: Dá-nos um Rei, a Escolha de Saul
Israel quer ser como as outras nações e pede um rei. Deus atende, um jovem que procurava jumentas é ungido, e Samuel se despede lembrando quem é o verdadeiro Rei.
Um Rei como as Outras Nações
O livro de Juízes repetiu várias vezes que "não havia rei em Israel" (Juízes 21:25). No estudo anterior, Samuel liderou o povo num arrependimento verdadeiro, e Deus deu a vitória sobre os filisteus em Ebenézer. Parecia que Israel tinha encontrado o caminho. Mas os capítulos 8 a 12 de 1 Samuel começam com um pedido que muda a história do povo: "Dá-nos um rei".
É um dos momentos mais importantes do Antigo Testamento. Israel passa de uma liderança de juízes, levantados por Deus em momentos de crise, para uma monarquia. A pergunta que atravessa estes capítulos não é se ter um rei era bom ou ruim em si, mas por que o povo queria um, e quem continuaria sendo o verdadeiro Rei.

"Dá-nos um Rei" (1 Samuel 8)
Samuel envelheceu e colocou os filhos como juízes. Mas eles repetem o erro dos filhos de Eli: "se inclinaram à avareza, e aceitaram subornos, e perverteram o direito" (1 Samuel 8:3). Os anciãos vão a Ramá e fazem o pedido:
O problema dos filhos de Samuel era real. Mas a solução que o povo pede revela outra coisa: "como o têm todas as nações". Samuel fica desgostoso e ora. A resposta de Deus é surpreendente: "Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele" (1 Samuel 8:7). Desde o Egito, diz o Senhor, o povo faz isso: deixa a ele e serve a outros deuses (1 Samuel 8:8).
Deus manda atender, mas com um aviso. Samuel descreve "o direito do rei" (1 Samuel 8:11). A palavra que se repete é "tomará": os filhos para o exército e para os carros, as filhas para a cozinha do palácio, os melhores campos, a décima parte das colheitas e dos rebanhos, os servos e os jumentos. No fim, "vós lhe sereis por servos" (1 Samuel 8:17). E o povo responde sem hesitar: "Não! Mas teremos um rei sobre nós. Para que sejamos também como todas as nações; o nosso rei poderá governar-nos, sair adiante de nós e fazer as nossas guerras" (1 Samuel 8:19-20).
Um Jovem Procurando Jumentas (1 Samuel 9:1-10:16)
A história do primeiro rei começa de um jeito quase banal. Quis, um benjamita rico, perde as jumentas e manda o filho procurá-las. O filho se chama Saul: "moço e tão belo, que entre os filhos de Israel não havia outro mais belo do que ele; desde os ombros para cima, sobressaía a todo o povo" (1 Samuel 9:2). Por fora, era exatamente o rei que uma nação poderia desejar.
Depois de três dias sem achar nada, Saul quer desistir. É o servo quem lembra que há um "homem de Deus" na cidade e que talvez ele saiba o caminho (1 Samuel 9:6). Saul nem conhece Samuel, o profeta mais famoso de Israel. Mas Deus já tinha avisado Samuel na véspera: "te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual ungirás por príncipe sobre o meu povo" (1 Samuel 9:16). Samuel o recebe com honra, diz que as jumentas já foram encontradas e o faz sentar no lugar de honra do banquete (1 Samuel 9:20-24). Saul reage com humildade: "Porventura, não sou benjamita, da menor das tribos de Israel?" (1 Samuel 9:21).
De madrugada, na saída da cidade, Samuel unge Saul em segredo: "Tomou Samuel um vaso de azeite, e lho derramou sobre a cabeça, e o beijou, e disse: Não te ungiu, porventura, o Senhor por príncipe sobre a sua herança, o povo de Israel?" (1 Samuel 10:1). Ele anuncia três sinais, e todos se cumprem no mesmo dia (1 Samuel 10:2-9). O último é o mais marcante: o Espírito de Deus se apossa de Saul, e ele profetiza no meio de um grupo de profetas. Quem o conhecia se espanta: "Está também Saul entre os profetas?" (1 Samuel 10:11).
Escolhido em Mispa (1 Samuel 10:17-27)
Samuel reúne o povo em Mispa. Antes de apresentar o rei, ele repete a acusação: "vós rejeitastes, hoje, a vosso Deus, que vos livrou de todos os vossos males" (1 Samuel 10:19). Então lança sortes entre as tribos, as famílias e as pessoas, e Saul é indicado. Mas ninguém o encontra. Ele está "escondido entre a bagagem" (1 Samuel 10:22).

Quando o trazem, todos veem que ele é o mais alto do povo. Samuel o apresenta: "Vedes a quem o Senhor escolheu?", e o povo grita: "Viva o rei!" (1 Samuel 10:24). Samuel escreve "o direito do reino" num livro e o coloca diante do Senhor (1 Samuel 10:25), como uma constituição que limita o poder do rei. Nem todos aceitam: alguns "filhos de Belial" desprezam Saul, "porém Saul se fez de surdo" (1 Samuel 10:27).
A Primeira Vitória (1 Samuel 11)
O teste vem logo. Naás, rei dos amonitas, cerca Jabes-Gileade e impõe uma condição cruel para fazer aliança: furar o olho direito de todos os homens da cidade, "trazendo assim eu vergonha sobre todo o Israel" (1 Samuel 11:2). Os mensageiros chegam a Gibeá, e o povo chora. Saul vem do campo, atrás dos bois. Ainda era um lavrador.
"O Espírito de Deus se apossou de Saul" (1 Samuel 11:6). Ele corta uma junta de bois em pedaços e os envia a todo o Israel com uma ameaça, e o povo sai "como um só homem" (1 Samuel 11:7). É um eco sombrio do fim de Juízes, quando um levita mandou as partes de um corpo pelas tribos, mas desta vez o resultado é salvar uma cidade israelita. Saul ataca de madrugada e derrota os amonitas (1 Samuel 11:11). Jabes-Gileade nunca esqueceria: no fim da vida de Saul, os homens daquela cidade arriscariam a vida para resgatar o corpo dele (1 Samuel 31:11-13).
Depois da vitória, alguns querem matar quem tinha desprezado Saul. A resposta dele é o seu melhor momento: "Hoje, ninguém será morto, porque, no dia de hoje, o Senhor salvou a Israel" (1 Samuel 11:13). Em Gilgal, o povo confirma Saul como rei e se alegra diante do Senhor (1 Samuel 11:15).
A Despedida de Samuel (1 Samuel 12)
Samuel não deixa de ser profeta, mas encerra o seu papel de juiz com um discurso solene. Primeiro pede que o povo testemunhe se ele tomou o boi ou o jumento de alguém, se defraudou ou aceitou suborno (1 Samuel 12:3). Ninguém tem nada a dizer. É o oposto do rei que "tomará" tudo, descrito no capítulo 8.
Depois relembra a história: Deus libertou o povo do Egito, enviou juízes como Jerubaal, Baraque e Jefté. Mas, diante de Naás, o povo pediu um rei, "ao passo que o Senhor, vosso Deus, era o vosso rei" (1 Samuel 12:12). Mesmo assim, o futuro não está perdido:
Para confirmar as palavras, Samuel pede trovões e chuva na época da colheita do trigo, quando quase nunca chove, e Deus os envia (1 Samuel 12:17-18). O povo se assusta e pede que Samuel ore por eles. A resposta de Samuel mostra o coração de um verdadeiro líder: "longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito" (1 Samuel 12:23). E ele termina com uma promessa e um alerta: "o Senhor, por causa do seu grande nome, não desamparará o seu povo" (1 Samuel 12:22); mas, se perseverarem no mal, "perecereis, tanto vós como o vosso rei" (1 Samuel 12:25).
- 1 Samuel 8: o pedido de um rei e o aviso sobre o direito do rei.
- 1 Samuel 9: Saul procura as jumentas e encontra Samuel.
- 1 Samuel 10:1-16: a unção secreta de Saul e os três sinais.
- 1 Samuel 10:17-27: Saul escolhido por sorte em Mispa.
- 1 Samuel 11: a vitória sobre os amonitas em Jabes-Gileade e a confirmação em Gilgal.
- 1 Samuel 12: o discurso de despedida de Samuel.
- Textos relacionados: Deuteronômio 17:14-20; Juízes 21:25; 1 Samuel 2:10; 31:11-13; 1 Reis 12:4.