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Série Gênesis a Apocalipse Estudo 105 de 114 publicados Ver o mapa da série →

I Samuel 8-12: Dá-nos um Rei, a Escolha de Saul

Israel quer ser como as outras nações e pede um rei. Deus atende, um jovem que procurava jumentas é ungido, e Samuel se despede lembrando quem é o verdadeiro Rei.

Um Rei como as Outras Nações

O livro de Juízes repetiu várias vezes que "não havia rei em Israel" (Juízes 21:25). No estudo anterior, Samuel liderou o povo num arrependimento verdadeiro, e Deus deu a vitória sobre os filisteus em Ebenézer. Parecia que Israel tinha encontrado o caminho. Mas os capítulos 8 a 12 de 1 Samuel começam com um pedido que muda a história do povo: "Dá-nos um rei".

É um dos momentos mais importantes do Antigo Testamento. Israel passa de uma liderança de juízes, levantados por Deus em momentos de crise, para uma monarquia. A pergunta que atravessa estes capítulos não é se ter um rei era bom ou ruim em si, mas por que o povo queria um, e quem continuaria sendo o verdadeiro Rei.

Os anciãos de Israel vão a Ramá e pedem ao velho Samuel um rei, como têm todas as nações

"Dá-nos um Rei" (1 Samuel 8)

Samuel envelheceu e colocou os filhos como juízes. Mas eles repetem o erro dos filhos de Eli: "se inclinaram à avareza, e aceitaram subornos, e perverteram o direito" (1 Samuel 8:3). Os anciãos vão a Ramá e fazem o pedido:

Vê, já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o têm todas as nações.

O problema dos filhos de Samuel era real. Mas a solução que o povo pede revela outra coisa: "como o têm todas as nações". Samuel fica desgostoso e ora. A resposta de Deus é surpreendente: "Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele" (1 Samuel 8:7). Desde o Egito, diz o Senhor, o povo faz isso: deixa a ele e serve a outros deuses (1 Samuel 8:8).

Deus manda atender, mas com um aviso. Samuel descreve "o direito do rei" (1 Samuel 8:11). A palavra que se repete é "tomará": os filhos para o exército e para os carros, as filhas para a cozinha do palácio, os melhores campos, a décima parte das colheitas e dos rebanhos, os servos e os jumentos. No fim, "vós lhe sereis por servos" (1 Samuel 8:17). E o povo responde sem hesitar: "Não! Mas teremos um rei sobre nós. Para que sejamos também como todas as nações; o nosso rei poderá governar-nos, sair adiante de nós e fazer as nossas guerras" (1 Samuel 8:19-20).

A monarquia era um erro?
A Lei de Moisés já previa um rei: "estabelecerás, com efeito, sobre ti como rei aquele que o Senhor, teu Deus, escolher" (Deuteronômio 17:15). E o cântico de Ana falava do "seu rei" e do "seu ungido" (1 Samuel 2:10). Por isso muitos intérpretes entendem que o problema não era ter um rei, mas o motivo e o jeito do pedido: querer ser como as outras nações e confiar num homem para "fazer as nossas guerras", quando quem tinha lutado por Israel era o Senhor. Deuteronômio também mostra que o rei de Israel devia ser diferente: sem acumular cavalos, mulheres e riquezas, e lendo a Lei todos os dias (Deuteronômio 17:16-19). O aviso de Samuel sobre o rei que "tomará" se cumpriria séculos depois, quando o povo reclamou a Roboão: "Teu pai fez pesado o nosso jugo" (1 Reis 12:4).

Um Jovem Procurando Jumentas (1 Samuel 9:1-10:16)

A história do primeiro rei começa de um jeito quase banal. Quis, um benjamita rico, perde as jumentas e manda o filho procurá-las. O filho se chama Saul: "moço e tão belo, que entre os filhos de Israel não havia outro mais belo do que ele; desde os ombros para cima, sobressaía a todo o povo" (1 Samuel 9:2). Por fora, era exatamente o rei que uma nação poderia desejar.

Depois de três dias sem achar nada, Saul quer desistir. É o servo quem lembra que há um "homem de Deus" na cidade e que talvez ele saiba o caminho (1 Samuel 9:6). Saul nem conhece Samuel, o profeta mais famoso de Israel. Mas Deus já tinha avisado Samuel na véspera: "te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual ungirás por príncipe sobre o meu povo" (1 Samuel 9:16). Samuel o recebe com honra, diz que as jumentas já foram encontradas e o faz sentar no lugar de honra do banquete (1 Samuel 9:20-24). Saul reage com humildade: "Porventura, não sou benjamita, da menor das tribos de Israel?" (1 Samuel 9:21).

De madrugada, na saída da cidade, Samuel unge Saul em segredo: "Tomou Samuel um vaso de azeite, e lho derramou sobre a cabeça, e o beijou, e disse: Não te ungiu, porventura, o Senhor por príncipe sobre a sua herança, o povo de Israel?" (1 Samuel 10:1). Ele anuncia três sinais, e todos se cumprem no mesmo dia (1 Samuel 10:2-9). O último é o mais marcante: o Espírito de Deus se apossa de Saul, e ele profetiza no meio de um grupo de profetas. Quem o conhecia se espanta: "Está também Saul entre os profetas?" (1 Samuel 10:11).

Ungido
Ungir era derramar azeite sobre a cabeça de alguém para separá-lo para uma função dada por Deus. Na Lei, os sacerdotes eram ungidos; agora, também o rei. Daí vem o título "ungido do Senhor", que Davi usará com tanto respeito ao falar de Saul. A palavra hebraica para ungido é mashiach, de onde vem "Messias"; em grego, ela foi traduzida por "Cristo".

Escolhido em Mispa (1 Samuel 10:17-27)

Samuel reúne o povo em Mispa. Antes de apresentar o rei, ele repete a acusação: "vós rejeitastes, hoje, a vosso Deus, que vos livrou de todos os vossos males" (1 Samuel 10:19). Então lança sortes entre as tribos, as famílias e as pessoas, e Saul é indicado. Mas ninguém o encontra. Ele está "escondido entre a bagagem" (1 Samuel 10:22).

Em Mispa, o povo tira Saul do meio da bagagem onde ele se escondia; ele é o mais alto de todos

Quando o trazem, todos veem que ele é o mais alto do povo. Samuel o apresenta: "Vedes a quem o Senhor escolheu?", e o povo grita: "Viva o rei!" (1 Samuel 10:24). Samuel escreve "o direito do reino" num livro e o coloca diante do Senhor (1 Samuel 10:25), como uma constituição que limita o poder do rei. Nem todos aceitam: alguns "filhos de Belial" desprezam Saul, "porém Saul se fez de surdo" (1 Samuel 10:27).


A Primeira Vitória (1 Samuel 11)

O teste vem logo. Naás, rei dos amonitas, cerca Jabes-Gileade e impõe uma condição cruel para fazer aliança: furar o olho direito de todos os homens da cidade, "trazendo assim eu vergonha sobre todo o Israel" (1 Samuel 11:2). Os mensageiros chegam a Gibeá, e o povo chora. Saul vem do campo, atrás dos bois. Ainda era um lavrador.

"O Espírito de Deus se apossou de Saul" (1 Samuel 11:6). Ele corta uma junta de bois em pedaços e os envia a todo o Israel com uma ameaça, e o povo sai "como um só homem" (1 Samuel 11:7). É um eco sombrio do fim de Juízes, quando um levita mandou as partes de um corpo pelas tribos, mas desta vez o resultado é salvar uma cidade israelita. Saul ataca de madrugada e derrota os amonitas (1 Samuel 11:11). Jabes-Gileade nunca esqueceria: no fim da vida de Saul, os homens daquela cidade arriscariam a vida para resgatar o corpo dele (1 Samuel 31:11-13).

Depois da vitória, alguns querem matar quem tinha desprezado Saul. A resposta dele é o seu melhor momento: "Hoje, ninguém será morto, porque, no dia de hoje, o Senhor salvou a Israel" (1 Samuel 11:13). Em Gilgal, o povo confirma Saul como rei e se alegra diante do Senhor (1 Samuel 11:15).


A Despedida de Samuel (1 Samuel 12)

Samuel não deixa de ser profeta, mas encerra o seu papel de juiz com um discurso solene. Primeiro pede que o povo testemunhe se ele tomou o boi ou o jumento de alguém, se defraudou ou aceitou suborno (1 Samuel 12:3). Ninguém tem nada a dizer. É o oposto do rei que "tomará" tudo, descrito no capítulo 8.

Depois relembra a história: Deus libertou o povo do Egito, enviou juízes como Jerubaal, Baraque e Jefté. Mas, diante de Naás, o povo pediu um rei, "ao passo que o Senhor, vosso Deus, era o vosso rei" (1 Samuel 12:12). Mesmo assim, o futuro não está perdido:

Se temerdes ao Senhor, e o servirdes, e lhe atenderdes à voz, e não lhe fordes rebeldes ao mandado, e seguirdes o Senhor, vosso Deus, tanto vós como o vosso rei que governa sobre vós, bem será.

Para confirmar as palavras, Samuel pede trovões e chuva na época da colheita do trigo, quando quase nunca chove, e Deus os envia (1 Samuel 12:17-18). O povo se assusta e pede que Samuel ore por eles. A resposta de Samuel mostra o coração de um verdadeiro líder: "longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito" (1 Samuel 12:23). E ele termina com uma promessa e um alerta: "o Senhor, por causa do seu grande nome, não desamparará o seu povo" (1 Samuel 12:22); mas, se perseverarem no mal, "perecereis, tanto vós como o vosso rei" (1 Samuel 12:25).

Conclusão: em quem está a nossa segurança?
Israel queria um rei para ser como as outras nações e ter alguém visível que lutasse por eles. Deus deu o que pediram, mas deixou claro que nenhum rei substituiria a ele. Saul começa bem: humilde, cheio do Espírito, generoso com quem o desprezou. A pergunta é se ele e o povo continuariam ouvindo a voz do Senhor. A história fala também conosco. É comum procurar segurança em líderes, estruturas ou no que todo mundo tem, e esquecer que a nossa confiança deve estar em Deus. Samuel aponta o caminho: temer ao Senhor, servi-lo de todo o coração e lembrar "quão grandiosas coisas vos fez" (1 Samuel 12:24).
Referências Bíblicas
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