Pular para o conteúdo
Versão ARA
×

Escolha a tradução:

Série Gênesis a Apocalipse Estudo 108 de 114 publicados Ver o mapa da série →

I Samuel 18-20: Davi e Jônatas, Amizade sob Ameaça

O filho do rei faz aliança com o homem que vai ocupar o trono do pai. Enquanto a inveja de Saul vira perseguição, Jônatas e Mical arriscam tudo para proteger Davi.

Quando o Sucesso Desperta Inveja

O estudo anterior terminou com Davi diante de Saul, segurando a cabeça de Golias e dizendo de quem era filho (1 Samuel 17:57-58). Para Israel, foi um dia de vitória. Para Saul, foi o começo de um medo que só ia crescer. Os capítulos 18 a 20 contam como o herói do vale de Elá se torna, aos poucos, um homem perseguido pelo próprio rei.

Mas não é só uma história de perseguição. É também a história de uma das amizades mais bonitas da Bíblia, entre Davi e Jônatas, o filho de Saul que tinha todos os motivos para ver Davi como rival. Ao lado da inveja do pai aparece a lealdade do filho. O que faz alguém escolher a amizade quando tudo o empurra para a disputa?

Jônatas tira a própria capa e entrega a Davi, junto com a espada, o arco e o cinto, como sinal de aliança

Uma Aliança entre Amigos (1 Samuel 18:1-5)

Logo depois da vitória sobre Golias, "a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma" (1 Samuel 18:1). Os dois fazem uma aliança, e Jônatas faz um gesto cheio de significado:

Despojou-se Jônatas da capa que vestia e a deu a Davi, como também a armadura, inclusive a espada, o arco e o cinto.

Jônatas era o herdeiro do trono. Ao entregar a capa e as armas a Davi, ele dá algo mais do que presentes. Muitos intérpretes veem nisso um reconhecimento simbólico de que Davi seria o futuro rei, algo que Jônatas dirá abertamente mais tarde. Lembre que, em Micmás, Jônatas já tinha mostrado o mesmo tipo de fé que Davi: confiar que Deus salva "com muitos ou com poucos" (1 Samuel 14:6). Os dois se reconhecem.


Saul Feriu os Seus Milhares (1 Samuel 18:6-30)

Quando o exército volta, as mulheres saem cantando e dançando, e o refrão delas muda a vida de Saul: "Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares" (1 Samuel 18:7). Era uma forma poética de celebrar os dois, mas Saul ouve uma comparação: "Dez milhares deram elas a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão o reino?" (1 Samuel 18:8). E o texto resume: "Daquele dia em diante, Saul não via a Davi com bons olhos" (1 Samuel 18:9).

No dia seguinte, enquanto Davi toca harpa, Saul atira a lança contra ele, duas vezes (1 Samuel 18:10-11). O motivo real é dito com clareza: "Saul temia a Davi, porque o Senhor era com este e se tinha retirado de Saul" (1 Samuel 18:12). Saul tenta então outros meios. Oferece a filha mais velha, Merabe, esperando que Davi morresse lutando contra os filisteus, mas a dá a outro homem (1 Samuel 18:17-19). Depois oferece Mical, que amava Davi, e pede como dote uma prova de cem filisteus mortos, contando que Davi caísse na tentativa (1 Samuel 18:25). Davi traz o dobro e se casa com Mical (1 Samuel 18:27).

Cada plano de Saul tem o efeito contrário. "Viu Saul e reconheceu que o Senhor era com Davi" (1 Samuel 18:28), e o povo amava Davi cada vez mais. Quanto mais Davi prospera, mais Saul o teme, e o capítulo termina dizendo que ele "continuamente foi seu inimigo" (1 Samuel 18:29).

A inveja
A Bíblia trata a inveja como algo que corrói por dentro. Saul tinha o trono, um exército e a admiração do povo, mas não suportava ver outro ser mais celebrado. A inveja dele começa com uma comparação, cresce com o medo de perder o que tinha e termina em tentativa de assassinato. O contraste com Jônatas é forte: ele tinha muito mais a perder do que o pai, porque era o herdeiro, e mesmo assim escolheu se alegrar com o sucesso de Davi.

Jônatas e Mical Protegem Davi (1 Samuel 19)

Saul já não esconde a intenção: fala abertamente com Jônatas e com os servos "sobre matar Davi" (1 Samuel 19:1). Jônatas avisa o amigo e intercede junto ao pai: "Não peque o rei contra seu servo Davi, porque ele não pecou contra ti… por que, pois, pecarias contra sangue inocente, matando Davi sem causa?" (1 Samuel 19:4-5). Saul ouve e jura que não o matará (1 Samuel 19:6). Mas o juramento dura pouco. Na guerra seguinte, Davi volta a vencer, e Saul volta a atirar a lança (1 Samuel 19:8-10).

Naquela noite, Saul manda vigiar a casa de Davi para matá-lo de manhã. Quem o salva é Mical, a filha do rei: "Mical desceu Davi por uma janela; e ele se foi, fugiu e escapou" (1 Samuel 19:12). Para ganhar tempo, ela coloca um ídolo do lar na cama, com um tecido de pelos de cabra na cabeça, e diz que Davi está doente (1 Samuel 19:13-14). O detalhe do ídolo mostra que, mesmo na casa de Davi, a religião do povo ainda era misturada.

À noite, Mical ajuda Davi a descer por uma corda pela janela da casa para fugir dos homens de Saul

Davi foge para Ramá, onde está Samuel. Saul envia três grupos de mensageiros para prendê-lo, e todos, ao chegar, começam a profetizar com o grupo de profetas (1 Samuel 19:20-21). Por fim, o próprio Saul vai, e "o mesmo Espírito de Deus veio sobre ele" (1 Samuel 19:23). Ele passa o dia e a noite caído, sem a túnica, profetizando diante de Samuel. O velho ditado volta: "Está também Saul entre os profetas?" (1 Samuel 19:24). Desta vez, porém, não é sinal de bênção como no começo. Deus protege Davi e mostra que nem o rei pode ir contra os seus planos.


As Flechas de Jônatas (1 Samuel 20)

Davi procura Jônatas, angustiado: "Que fiz eu? Qual é a minha culpa?… apenas há um passo entre mim e a morte" (1 Samuel 20:1-3). Jônatas custa a acreditar que o pai quer mesmo matar Davi, mas concorda em descobrir. Davi não irá à refeição da Festa da Lua Nova com o rei, e Jônatas observará a reação do pai (1 Samuel 20:5-7).

No campo, os dois renovam a aliança, agora pensando no futuro. Jônatas sabe que Davi será rei e pede que ele seja leal também à sua família: "Nem tampouco cortarás jamais da minha casa a tua bondade" (1 Samuel 20:15). Combinam um sinal: Jônatas atirará três flechas, e o que ele disser ao rapaz que as busca indicará se Davi pode voltar ou deve fugir (1 Samuel 20:20-22).

Quanto àquilo de que eu e tu falamos, eis que o Senhor está entre mim e ti, para sempre.

No segundo dia da festa, Saul pergunta por que o filho de Jessé não veio. Jônatas dá a desculpa combinada, e Saul explode. Insulta o filho e diz o que pensa: "enquanto o filho de Jessé viver sobre a terra, nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino" (1 Samuel 20:30-31). Para Saul, Davi é um ladrão do trono que deveria ser de Jônatas. Quando Jônatas pergunta "Que fez ele?", Saul atira a lança contra o próprio filho (1 Samuel 20:32-33). Jônatas sai da mesa sem comer, "muito sentido por causa de Davi" (1 Samuel 20:34).

Na manhã seguinte, Jônatas vai ao campo e atira a flecha além do rapaz: o sinal de que Davi precisa fugir (1 Samuel 20:36-37). Depois que o rapaz volta à cidade, os dois amigos se encontram. Davi se prostra três vezes, "e beijaram-se um ao outro e choraram juntos; Davi, porém, muito mais" (1 Samuel 20:41). A despedida é selada com a lembrança da aliança: "O Senhor seja para sempre entre mim e ti e entre a minha descendência e a tua" (1 Samuel 20:42).

Uma amizade que atravessa gerações
A aliança entre Davi e Jônatas não termina aqui. Quando Jônatas morrer, Davi vai lamentar: "Excepcional era o teu amor" (2 Samuel 1:26). E, já rei, procurará alguém da casa de Saul "para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas" (2 Samuel 9:1), cumprindo o que prometeu. Muitos leitores veem em Jônatas um exemplo raro de humildade: ele aceitou que o plano de Deus era maior do que a sua própria posição. O livro de Provérbios descreve bem esse tipo de amizade: "há amigo mais chegado do que um irmão" (Provérbios 18:24).
Conclusão: a escolha entre inveja e lealdade
Saul e Jônatas viveram a mesma situação: um jovem talentoso, abençoado por Deus, que ameaçava o futuro da família no trono. Saul escolheu a inveja e acabou atirando lanças até no próprio filho. Jônatas escolheu a amizade e a fidelidade a Deus, mesmo perdendo a coroa. Mical também arriscou a própria segurança para salvar o marido. A história nos pergunta como reagimos quando outra pessoa recebe o reconhecimento que gostaríamos de ter. Podemos ser como Saul, contando milhares e dez milhares, ou como Jônatas, que soube dizer: o Senhor está entre mim e ti.
Referências Bíblicas
Encontrou algum erro neste conteúdo?
O que está errado?

Não pedimos nome nem e-mail. Veja a política editorial.

Busca Rápida de Livros da Bíblia

Buscar livro da Bíblia